Uma nova terra

Os povoadores das zonas desérticas estenderam-se, e emigraram, para o norte, o sul e o este. No seu afã de procurar uma nova terra onde lançar raízes, por assim dizer, toparam com outras tribos que, desde épocas remotas, habitavam nas zonas tropicais do continente africano.

Ante a ausência de provas fidedignas para catalogar com exatidão os diferentes povos que se achavam disseminados por terras africanas, se avançaram hipóteses que afirmam que existiram tribos primitivas "paleo-negríticas" que praticavam a caça e conheciam técnicas rudimentares para trabalhar a terra; especialmente se esforçavam em conseguir que o terreno pobre e ermo de zonas extremas e montanhosas chegasse a ser fértil. Para isso contavam com o conhecimento do cultivo intensivo, mediante o qual conseguiam, além do total abastecimento de todos os tipos de produtos hortícolas, algo mais importante, a saber: a coesão social necessária para tornar possível o auge populacional e, além disso, o assentamento definitivo numa determinada zona; deste modo chegariam à formação de núcleos ou grupos sociais com uma densidade de quase cinqüenta habitantes por quilômetro quadrado.

Alguns destes grupos populacionais ocuparam a região norte do território africano, lugar próximo da ribeira oriental do Nilo; tal é o caso da tribo dos dogones, que se caracterizava porque entre os seus membros e a própria envolvente geográfica se estabeleceu um vínculo tribal difícil de quebrar.

Também o grupo dos bassari é outro dos denominados "povos nus" da África, os quais se encontravam espalhados por diferentes zonas. A sua antiguidade se remonta a perto de seis mil anos e terminaram assentando-se na Guiné. Na Costa de Marfim se estabeleceram os "lobis". Os "sombas" ocuparam a região de Togo. E as terras de Nigéria viram-se povoadas por tribos de "angus" e "fabis". Todos os grupos enumerados foram conformando as grandes zonas étnicas da África.

Mas também nos territórios desérticos e nas zonas equatoriais se foram assentando populações de tradição étnica como os "mandinga" e os "bambara". Também os "yoruba", em união dos "hausa" e os "ibos", se iriam assentando pela zona da Nigéria até se constituírem na massa de população mais rica de todo o continente africano.

Segundo os pesquisadores, as diferentes tribos apontadas mantinham entre si uma clara diferenciação social e sucedia a mesma coisa no terreno político ou religioso.

A autonomia estava garantida, assim como os costumes milenários de cada tribo e a sua idiossincrasia própria. A variedade de crenças, de história, de lendas e de mitos, que confluem nas mencionadas populações, faz com que o continente africano se mostre muito atraente e interessante. Acrescenta-se a tudo isso que foi na Núbia - território situado no fértil, e maravilhoso, vale do Nilo - onde teve a sua origem uma das primeiras civilizações do continente africano, que recebeu precisamente o nome de civilização dos núbios - na atualidade quase toda a zona é território sudanês - que provinha provavelmente da Ásia, dado que a cor da sua pele era muito similar à dos povoadores desse continente e, durante um milênio, manteve todo o seu esplendor.

Nenhum comentário: