O deus do Sol

Como os chibchas com Bochica, os aztecas com Huitzilopchtl, os quinches com Hun-Apu-Vuch, os quechuas do império inca tinham o deus Sol no primeiro degrau do escalão celeste, com o nome sagrado e impronunciável de Inti, embora mais tarde fosse evoluindo para uma personalidade mais complexa e universal, que terminou por absorver a divindade sem nome da criação, para dar lugar a Ira Cocha, uma abreviatura do nome completo do deus Apu-Kon-Tiki-Uira-Cocha, que é, por antonomásia, a função total do seu poder omnímodo, dado que este nome é simplesmente a enumeração dos seus poderes (supremo ser da água, da terra e do fogo) sobre os três elementos em que se baseou a criação do Universo. Este novo e muito mais poderoso deus do Sol não estava sozinho no seu reino, pois estava a sua esposa -e irmã, como corresponde a um Inca - a Lua que o acompanhava em igualdade de rango na corte celestial, sob o nome de Quilha. O Sol era representado com a forma de um elipsóide de ouro no qual também podiam aparecer os raios como outro dos seus atributos de poder, e a Lua tinha a forma ritual de um disco de prata. O Sol, como criador, era adorado e reverenciado, mas também a ele se acudia à procura do seu favor e da sua ajuda, para resolver os problemas e aliviar as necessidades, dado que só ele podia fazer nascer às colheitas, curar a doença e dar a segurança que o ser humano anseia. Naturalmente, à deusa Quilha estava adstrito o fervor religioso das mulheres, e eram elas as que formavam o núcleo das suas fiéis seguidoras, dado que ninguém melhor do que a deusa Quilha podia compreender os seus desejos e temores e dar-lhes o amparo procurado.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito lgl! Eu já entrei outras vezes no seu blog e só achei coisas interessantes, que me ajudaram bastante! Ele está mto bem feito e organizado!!

Lara disse...

Obrigada pela participação.
Abraços.