O culto divino

Se grandiosa foi a aparição do primeiro Inca e a primeira Coya, grandioso foi também o seu culto. Eles eram adorados na multidão de templos solares de todos os cantos do Império, num lugar do santoral muito próximo do grande deus Sol. De todas as localizações religiosas dedicados a este grande deus inca, quer se tratasse de templos, oratórios, pirâmides ou lugares sagrados naturais, o que os precedia, por rango e pela sua grandeza, era o grande santuário de Inti-Huasi de Cuzco, rico templo chamado também Coricancha, ou sala de ouro, dado que as suas paredes estavam recobertas por lâminas desse metal, para maior glória do Inca e dos deuses de quem ele descendia. A imagem central do Coricancha era o grande disco solar, a imagem ortodoxa e ritual do deus do Sol, e ao seu redor estavam as outras capelas das divindades menores do céu. Após Coricancha, pelo seu esplendor e importância se situa o templo dedicado pelos chinchas a Pachacamac em Lurin, perto de Lima.

Deve apontar-se que a cultura Chincha tinha em Chincha Camac o seu ser Supremo, dado que, embora adorassem o deus Pachacamac (mais por temor do que por respeito ou amor), e a ele dedicavam templos e huacas como uma ação de agradecimento pelo seu trabalho criador e oferendas feitas por elas ou selecionadas entre os seus frutos, por ser o salvador dos seus antepassados que livrou da fome inicial, também estavam cientes de que este poderoso e temível deus, pela sua especial personalidade, não podia ser aquele a quem eles acudissem à procura de soluções às suas diferenças e pesares. No grande templo de Lurin, santuário para a adoração do deus sem pele nem ossos, como era descrito Pachacamac pelos seus fiéis, os incas - após assimilar este deus e o seu culto ao do Sol - realizaram obras de embelezamento, até fazê-lo quase tão belo como Coricancha, cobrindo também de ouro e prata a capela central, a do deus Pachacamac, à maneira do anteriormente feito com a totalidade do grande templo solar de Cuzco.

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