Nazca

No vale de Palpa encontra-se uma gigantesca e quase invisível construção, realizada com pedras de pequeno tamanho, marcando no seu solo uma série de figuras que parece impossível que tenham sido realizadas sem que se pudesse observar e dirigir a sua construção a partir de algum lugar elevado. Esta grande construção, ou melhor, este desenho monumental, pertence à cultura de Nazca, que já os espanhóis conheceram em parte, apesar de terem sido um dos muitos povos absorvidos pela expansão do império inca. A moderna lenda quis ver em Palpa todas as classes de artifícios mágicos e até extraterrestres, mas este vale tinha outra utilidade muito mais precisa e interessante: a observação astronômica. De uma praça central partem 23 retas, na sua maior parte de uns 182 metros de longitude, outras da metade ou quarta parte dessa longitude e outras de 26 metros, o que demonstra que se trata duma construção baseada numa ordem geométrica precisa.

As linhas marcam pontos que guardam relação com o solstício e o equinócio, e deviam ter servido de instrumento de medida para estabelecer o calendário solar. Quanto aos verdadeiros mitos de Nazca, não se sabe demasiado, à parte da existência do felino manchado, talvez personificação de Pachacamac, quando aparece rodeado por serpentes, pelo puma ou gato da água ou dos lagos e pelo gato-demônio; também aparece a figura do reduzido zig-zag, com uma serpente no seu lombo, a do homem-centopéia, a aranha de oito patas e as mais locais (Nazca era uma povoação de pescadores) da baleia, a terrível divindade chamada Boto, uma espécie muito particular de deus de todos os terrores; mas não há que esquecer o deus do Mar, com corpo de peixe, cara coberta de ângulos e um cetro ou uma cabeça cortada na sua mão, e a do Poderoso Senhor do Mar, que costuma representar-se em cenários de peixes e pescadores, mais como a figura de um ser legendário da sua história do que como a de um deus da mitologia nazca.

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