Negros Africanos e seus Mitos

Para a melhor compreensão do mundo negro, é necessário conhecer os seus aspectos geográficos e físicos, dado que ambos incidem substancialmente sobre o aspecto histórico e até o determinam.

Isso leva a considerar o continente negro como um espaço fechado, no qual os seus povoadores rejeitariam qualquer tentativa de influência alheia a eles; com o qual se encontrariam destinados a certa classe de impenetrável ostracismo étnico. Não obstante, os diferentes povos e tribos que se encontravam espalhados pelo território africano, certamente tinham limitado o seu espaço por uma espécie de muro de areia que apontava, de forma expeditiva, para a fronteira norte da África negra: tratava-se do hoje célebre deserto do Saara.

Mas isto nem sempre foi assim, dado que essa franja desértica denominada "deserto do Saara" era antes um verdadeiro vergel, pleno de abundante vegetação, com árvores e prados, planícies e colinas. Mas isso sucedeu há já seis mil anos, quando já em outras zonas da África os primeiros hominídeos tinham deixado gravados - nas paredes rochosas das covas que usavam para abrigar-se - signos carregados de simbolismo emblemático e pinturas esquemáticas, cujo valor como documento social, político, ritual e estético é incalculável.

Essa espécie de jardim natural, que foi o atual deserto do Saara, foi assolado por uma grande seca que teve a sua origem quatro milênios antes da nossa era. A grande dissecação durou quase dois mil anos e as conseqüências diretas dos seus efeitos estão aí, nessa enorme franja deserta que se estende do ocidente para o oriente na zona norte do continente africano e que, segundo alguns historiadores, constitui o limite que a própria natureza impôs ao mundo negro.

Já em tempos das glaciações, nos finais do período terciário - há aproximadamente seiscentos mil anos - o território africano tinha sido lugar de residência dos primeiros hominídeos. Em algumas partes da sua zona sul encontraram junto de utensílios de pedras sem lavrar e pedras rodadas ou eólitos, restos humanos de grande antiguidade. Também se conseguiram dados e provas que permitiram aos especialistas e investigadores afirmar que aqueles primeiros hominídeos conheciam o fogo. Essas zonas africanas estão consideradas, na atualidade, como centros de importantes achados pré-históricos.

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