Tribos do Norte


Ao sul dos territórios esquimós, mas no extremo norte da América, entre as tribos da nação Atapascan, em lugar de teogonia grandiosa, bem definida, se contavam lendas fragmentadas, como a de uma raça de seres sobrenaturais, nascidos entre os mortais e que ainda viviam entre eles, mas que só se exprimiam através dos bruxos. Esta raça se originou de um modo mágico, na névoa das montanhas, entre um grupo de dez irmãos purificados através do fogo que os levou à Terra das Almas, ao qual se uniu uma mulher, a irmã sobrenatural, queimada acidentalmente pelo fogo, para aumentar a espécie dos seres semi-divinos que favoreciam os que mereciam o seu auxílio. O mesmo povo índio contava que o deus do céu, Sinh, tinha nascido duma pequena concha jogada pelo mar à praia; que lá foi recolhido e criado por uma boa mulher e que, em prêmio à sua bondade e carinho, a mãe adotiva converteu-se, quando teve lugar a transfiguração do seu filho, em deusa dos ventos favoráveis. Naturalmente, em tais latitudes, os ventos frios do Norte eram por sua vez espíritos malignos e, em contraposição, o deus Sinh, azul como o céu limpo dos dias tranqüilos e a sua boa mãe adotiva, eram os amigáveis espíritos que ajudavam os humanos na sua vida diária. A tribo dos chinook contava as histórias do irônico Corvo azul, uma ave totémica, e a sua irmã Ioi.

O Corvo azul teve um papel muito complicado para interpretar maliciosamente tudo quanto a sua irmã Ioi lhe aconselhava fazer, e ela gostava de contar mentiras; do que se contava sobre este par de corvos, nas suas andadas com os sobrenaturais e nas suas aventuras no país dos mortos, no das sombras, dos seus erros, das suas ousadias e dos seus contínuos tropeços com outros animais totêmicos, como o castor, o urso preto, a pega, o pato, a foca, etc., emanava a correspondente série de fábulas morais.

Nenhum comentário: