Os Mitreus


Nos santuários de Mitra, nas grutas artificiais subterrâneas que são os mitreus, se representa uma concepção religiosa independente. O culto de Mitra é um culto mistérico, muito mais atraente e apaixonante do que o já periclitado culto oficial aos muitos e diferentes deuses que se foram assentando no super-povoado panteão romano. Resulta muito indicativo o fato de que os mitreus se vão estendendo centripetamente, dos postos avançados da legião, nos frontes permanentemente abertos, onde existe perigo de invasão, onde está o melhor do exército romano, para o interior do Império, sempre seguindo as linhas militares, para terminar implantando-se em Roma com um caráter muito marcado de culto ao rei, ao imperador. O deus aparece como matador do touro sobre o asse central. Veste uma túnica curta, capa e gorro frígio e, na sua mão direita, está a faca com que mata o touro, enquanto do sangue que brota da ferida do pescoço surge uma mata de espigas.

Sobre a ala central está a abóbada ritualmente perfurada por onde entra a luz, de modo que essa luminária imita as estrelas do céu que está encomendado ao deus, enquanto o Sol, que um dia foi parte da personalidade de Mitra, além da Babilônia, passa a um segundo plano como auxiliar ou acento do poder divino de Mitra, para ser simplesmente um fiel discípulo seu, como o eram os novos acólitos da imaginaria mitraica romana, Cautes e Cautopates, outras duas figuras solares que aparecem como um par de jovens vestidos também com clâmide cingida à cintura e gorro frígio, para que não haja a menor dúvida da sua pertinência ao cortejo mitraico, Cautes com a tocha para acima, como símbolo de juventude, de primavera, de amanhecer; Cautopates com a sua tocha para abaixo, como recordatório da senilidade, do outono e do ocaso.

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