O Triunfo de Mitra

No seu contato com o mundo grego, o deus solar dos assírios e o deus auxiliar dos persas, Mitra, passa a enriquecer-se com os dons pessoais de três deuses olímpicos: Apolo, Hermes e Hélios. Mitra se engrandece e aproxima do modelo clássico ao receber graças divinas de Apolo, deus da juventude, da beleza e das artes; de Hermes, mensageiro dos deuses; de Hélios, o mesmo deus do Sol, por sua vez outra encarnação de Apolo. Depois de ter sido helenizado, o renovado Mitra é levado em triunfo pelos legionários romanos, originários ou destacados, da Ásia Menor para Roma, lá, no coração de um império onde os deuses gregos latinizados estão crescendo, o novo e apaixonante culto a Mitra se assenta com força entre a classe militar e os seus imperadores, muitos deles surgidos da própria milícia legionária, e ao estar protegida por tão influente casta, converte-se num dos principais, construindo-se templos subterrâneos, os mitreus, por todo o império romano, onde se adorava Mitra como o guarda desse universo celestial, matando o touro que, no Avesta, tinha sido criado por Ahura-Mazda e morto por Ahriman, de cujo corpo tem que brotar toda a vida que há sobre a Terra, o touro que é fonte de vida para o reino animal e para o reino vegetal. Com essa invocação de Mitra tauróctone, o deus das almas também se torna divindade da vida que renasce constantemente, da vida que brota estacionalmente. Outras vezes aparece saindo da rocha afundada onde a ponte das almas tem a sua base, leva numa mão a faca com que tem de sacrificar o touro e na outra uma lanterna. Também vemos Mitra saindo entre as folhas de uma árvore, conseguindo que a água, também fonte de vida, brote abundantemente com a sua divina presença.

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