Mitra apaga-se - Jesus acende-se

A grande festa do renascimento mitraico celebrava-se grandiosamente em Roma no mês de Dezembro, exatamente no dia 25, desde que Júlio César deu o seu visto ao calendário definitivo que teria de reger no seu Império.

César fixou esse dia 25 de dezembro como o dia oficial do solstício de inverno e, anos mais tarde, o imperador Aureliano, no ano 274, fixou o 25 de Dezembro como o dia dedicado a celebrar o nascimento do Sol, quando chegava a data do solstício de inverno e o dia, após ir encurtando-se, começava o seu crescimento que o levaria ao máximo, ao anual e renovado solstício de Verão. Como muito acertadamente aponta Isaac Assimov nos seus estudos comparativos sobre os textos bíblicos e o evangelho, a nova e triunfante igreja cristã, assentada também na mesma Roma que teve que combater e pela qual foi combatida, não teve mais remédio que aceitar a popularidade de Mitra e tentou substituí-lo com um Jesus menino nesse dia, embora tivesse que decorrer uma boa parte do século IV para que se chegasse a considerar o Natal como algo estabelecido. A partir dessa declaração da igreja cristã, da igreja de Jesus, o seu nascimento era o que tinha que celebrar-se anualmente no dia 25 de Dezembro e para não deixar detalhes soltos, "deixou grávida" Maria com uma antecedência de nove meses exatos, de modo que a sua Anunciação se celebraria no dia 25 de Março, quando Isabel estava no seu sexto mês de gravidez de João o Batista três meses (mais ou menos) por atrás da Anunciação, com tanta sorte que o seu calculado nascimento caiu muito perto do solstício de Verão, em 24 de Junho, fazendo com que com a discutida e discutível figura de João Batista, o primo, ou o irmão suposto e não admitido de Jesus, outro suposto Messias, ocupasse o outro grande espaço pagão por onde se podia escapar uma grande parte da nova paróquia tão duramente conquistada, contrapondo com êxito as novas divindades aos mais antigos e assentados cultos.

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