A Criação

Ahura falou a Zaratustra e lhe revelou a verdade sobre a criação, sobre a sua criação de um universo criado por sua vontade do nada, para evitar que o mundo se deslizasse para o abismo do Erjana Veja criado pelo deus da morte Ahriman, para esse território gelado no qual os dez meses de frio apenas são contrariados pelos dois escassos meses de sol, desse mundo maldito em que o curto verão não chega a aquecer suficientemente para permitir a vida. Por isso, para nós os humanos, o deus Ahura criou o paraíso, Ghaon, o lugar onde mora Sughdra, onde florescem as rosas e cantam os pássaros; mas Ahriman tentou desbaratar a sua beleza, criando os insetos que atacam as plantas e os animais. Ahurada fez aparecer depois a cidade santa de Murú e Agra Manyú a infestou com todos os vícios e mais a mentira que tudo corrompe. Ahura não desfaleceu e criou a cidade exemplar de Bachdi, rodeada de campos férteis, pastos povoados com todas as classes de gado, uma rica e florescente cidade à qual Agra Manyú enviou as suas feras e bestas para devorarem o gado que pastava nos viçosos pastos de Bachdi. Mas Ahura contra-atacou construindo a cidade religiosa de Nisa, que Ahriman rodeou com a nuvem da dúvida, para corromper a sua fé. De novo Ahura retomou o seu trabalho criador e pôs em pé a próspera e laboriosa cidade de Harojú, a qual Ahriman mandou a negligência para empobrecê-la. E a luta sempre continua, com Ahura criando bondade e virtude por um lado, e Ahriman pela sua parte, destruindo continuamente a obra sagrada com a sua maldade. Ahura também explica a Zaratustra que é Agra Manyú quem espalha sem trégua entre as criaturas terrestres a mentira e a maldade.

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