Fenícios

As costas mediterrâneas, entre o Monte Cassio e o Carmelo, ao norte da Palestina, estabeleceu-se um povo de origem semita, os fenícios. Seus portos Tiro, Sido e Biblos já eram florescentes nos meados do II milenário antes da era cristã.

Os cultos eram dirigidos as divindades locais, as masculinas: Baal ou Baalim (plural) ou El, às vezes Melek (rei) ou Adon (senhor), outras femininas chamadas Baalat, Mikat ou Asthoret, Astarte. Baal e a Baalat formam um casal cuja união produz a fecundidade e a Vida.
Os fenícios chegam a decompor os sons silábicos já em uso na escrita hieroglífica dos egípcios e na escrita cuneiforme dos mesopotâmicos, em consoantes e vogais. Desta escrita alfabética decorrem o alfabeto grego e os alfabetos modernos.

O alfabeto fenício e as ideias de origem mesopotâmicas representam a preciosa contribuição da Ásia Ocidental, inteiramente penetrada de espírito religiosa à civilização universal.

Frígios

Os Frigios instalaram-se no Hati no começo do século XII antes da era cristã, após a queda de Tróia.

Seu culto principal é o de uma divindade feminina, a Deusa-Mãe Cibele e de seu filho e amante Átis. Átis morre, a deusa em prantos procura por seu companheiro que ressuscita. Celebra-se uma espécie de semana santa no fim de março, sua paixão e ressurreição, símbolos da vegetação desaparecida e depois reaparecida.

Os sacerdotes, os galles, são emasculados: na exaltação de uma festa sangrenta eles cortam seus membros e o jogam diante da estátua da deusa, usam trajes femininos e imitam as atitudes e os gestos da mulher. No mesmo local em que hoje está o vaticano, encontrava-se um friginum ou grande sacerdote, vestido com roupas suntuosas, celebrando os ritos de louvor de Cibele e de Átis, no curso de uma semana santa.

Havia também na Frígia um culto a Dionísio, deus do vinho e da bebedeira que ensejava grandes orgias.

A Frígia mais tarde, acolheu com consideração o Mitraísmo, no qual via uma religião de mistério que prometia a imortalidade.

Hititas

Como às populações suméricas, atribui-se grande importância aos hititas, cujo império, chamado Hati, floresceu na Ásia Menor e particularmente na Capadócia em 2000 antes da era cristã.

Julga-se que indo-europeus dominaram populações asianas – atualmente chamadas de proto-hititas, sem mudar o nome do país. São esses indo-europeus que se designa pelo nome de hititas.
Encontram-se nesses povos prováveis sobrevivências totêmicas: touros divinos e serpentes sagradas.

A divindade principal era uma deusa, a deusa do Sol de Arinna “Rainha do Hati”, cujo esposo era o deus da tempestade.

Interpretando certas esculturas hititas, julgou-se descobrir nelas o protótipo das divindades frigias: Cibele, Átis e também uma espécie de Dionísio. E supôs-se que os frígios haviam recebido, neste ponto, a herança religiosa dos hititas.


Deuses Hititas

Lendas e Cultos da Ásia Ocidental

Outra lenda liga Ishtar a do rei da Assíria, Sargon I. Filho de pai desconhecido, é exposto numa cesta de caniço no Eufrates, salvo por um camponês, amado por Ishtar que o faz ascender à realeza.

Ao tempo de Hamurabi, em que todos os deuses concentram-se em Marduk, o nome da semita Ishtar torna-se sinônimo do nome comum “Deusa”, e todas as outras divindades femininas quase desaparecem diante dela.

Embora venerando outras divindades, notadamente Ishtar, os assírios possuem um deus principal que foi, a princípio, o deus local da cidade de Assur, antes de tornar-se seu deus nacional: Ashur. Os assírios. Os assírios, tendo organizado a mais temível força militar que o mundo conhecer antes de Roma, acreditavam honrar seu deus através de abomináveis crueldades.

Outros aspectos da vida religiosa, sobretudo na Caldéia, são menos odiosos. Os salmos da penitência pedem aos deuses perdão pelos pecados cometidos seja contra eles, seja contra outros homens, sendo alguns desses textos comparados aos salmos do Antigo Testamento.

O regime político é sempre, quer na Babilônia, quer na Assíria, uma teocracia. Todo o poder emana de um deus u dos deuses. O rei é representante do deus na terra. Seu primeiro dever é entreter os deuses.

Tal é o objetivo do sacrifício que é o ato essencial do culto. O animal do sacrifício parece ser um substituto do fiel, que deveria ser ele próprio comido pelos deuses. Como o diz um poema:
“Ele entregou o cordeiro pela sua vida. Ele entregou a cabeça de cordeiro por cabeça de homem.”
Todas as práticas do bode expiatório, todas as esperanças de salvação pela imolação de um cordeiro divino, são conseqüências ocidentais do sacrifício caldeu.

A adivinhação pelo fígado de carneiro levou os babilônicos a várias observações anatômicas.
Por outro lado, os astros observados do alto das ziggurats, ocuparam grande espaço em seu pensamento, descobriram os presságios do céu. A astrologia conduziu, assim, a importantes pesquisas nos astros e, por essa via, a precisas conclusões sobre o determinismo da natureza, bem como sobre a medida do tempo.

Os caldeus distinguiram os dias fastos dos nefastos, originando os sabás. Os sete dias da semana foram designados pelos nomes dos planetas sagrados, tradição respeitada pelos gregos e romanos.

Muitas ideias religiosas, difundidas posteriormente provem desta Mesopotâmia – onde os judeus foram obrigados a habitar durante o cativeiro da Babilônia – com o valor do céu, o valor do sacrifício expiatório, os mitos da criação e do dilúvio, e a explicação das variações das estações pela morte e pela ressurreição de um deus.

Lendas da Babilônia


Ao lado do Marduk, a divindade mais popular é Ishtar, deusa da estrela da manhã e da estrela da noite (atribuída ao planeta Vênus), do amor, da maternidade e da fecundidade. Prostitutas sagradas (sacerdotisas) são empregadas em seus templos, onde possivelmente realizavam-se os cultos tântricos, ou se usava a sexualidade como meio de atingir a transformação, por isso eram consideradas prostitutas sagradas.

Ishtar é a mãe, esposa e amante de Tamuz, também chamado o filho, o pastor, o senhor. Ele morre segundo certas lendas, por um javali, em outras pela própria Ishtar que desce aos infernos em busca de seu amante. Ao descer aos infernos, em cada uma das sete portas ele deve deixar uma peça de suas vestes, chega nua a frente da Rainha dos Infernos que a conserva prisioneira.

Durante o tempo de cativeiro, a terra seca, torna-se estéril, o desejo acaba, homens e animais vão desaparecer. Os deuses receando ficar sem sacrifícios, intervêm junto às divindades infernais. Ishtar é libertada, volta à terra acompanhada por Tamuz ressuscitado. Segundo alguns textos posteriores o jovem deus pertencerá, numa metade do ano à deusa do amor, em outra à deusa dos infernos. Explica-se assim, a morte da natureza no inverno, seu renascimento e justificam-se os ritos destinados a assegurar o retorno da vegetação. As mulheres lamentam o desaparecimento de Tamuz e os dramas sagrados comemoram a paixão e a ressurreição do deus.

Babilônia

Quando Babilônia prevaleceu sobre as outras cidades, seu deus Marduk tornou-se o grande deus. No tempo de Hamurabi, ele absorve os outros deuses, considerados como seus diferentes aspectos – enquanto ilumina as trevas ele é Sim, como deus da dominação é Enlil, enquanto deus da justiça é Shamash, e assim por diante. É ainda o deus supremo no Século VI antes da era cristã.

Nabucodonosor (605-562) considera Marduk, senão na prática pelo menos em teoria, seu deus único e pessoal. Nenhum monarca da Mesopotâmia fez uma concepção da divindade tão semelhante ao monoteísmo. A religião do Estado era e continuou politeísta.

Foi Shamash, isto é, Marduk considerado sob o aspecto da Justiça que, no começo do ano 2000 antes de cristo, teria ditado ao grande soberano Hamurabi um código de 282 artigos, dos quais alguns processos de sindicância são sumários e algumas penalidades exageradamente severas, mas que, no entanto contém muitas normas razoáveis. A religião só intervém na introdução e na conclusão do código, o que permitiu dizer que os babilônicos já haviam separado, em parte, a religião do direito.


Código de Hamurabi

A Criação e o Dilúvio.


Marduk é convidado pelos outros deuses para combater Tiamat, a divindade do oceano. Recebe deles todos os poderes. Vence Tiamat, impõe limites ao mar, cria o homem com a argila, a fim de que haja um ser que adore, sirva e conserve os deuses.

Alguns deuses, descontentes com os homens, decidem destruí-los. Enill ou Bel organiza o cataclismo. Um dos deuses, Ea, aparece em sonho a um homem de quem gostava - Ut-Napíshtim - e ordena-lhe que construa um navio. O homem neste navio coloca sua família, seus trabalhadores, seu gado, seus animais campestres e sementes. O dilúvio começa, afoga todos os homens. Os deuses horrorizam-se com tal espetáculo e a Rainha dos deuses Ishtar, lamenta-se: “A antiga raça dos homens voltou a ser argila e eu concordei com esse ato funesto, no Conselho dos Deuses, quando consenti nesta tempestade que destruiu meu povo!”

A tempestade desabou durante sete dias. Ut-Mapishtim solta uma pomba, que volta, depois uma andorinha, que torna a voltar, depois um corvo que não regressa. Fez o navio parar e ofereceu no cume da montanha, um sacrifício em torno do qual os deuses se juntaram. O deus que organizou o cataclisma, Enlil queixa-se a Ea, que revelou seu plano, de traição. Depois que tudo se acalmou entre os deuses conferiu a imortalidade a seu favorito Ut-Napishtim e à sua mulher.

Assírios e Babilônicos

Um ou vários grupos de semitas chegam a dominar os sumérios e os Akkadianos. A conquista começada no III milenário termina no começo do II milenário antes da era cristã.

No delta estabelecem-se os babilônicos (caldeus), mais ai norte os assírios. Os babilônicos são mais intelectuais, são precursores em religião e arte. Os assírios são mais vigorosos, mais brutais e guerreiros. Por muito tempo os assírios dominaram os babilônicos antes de serem por eles dominados. Mesmo como vassalos, os babilônicos exerceram uma hegemonia espiritual comparável à da Grécia sobre Roma. São eles que forneceram o essencial das crenças. Podendo-se dessa maneira falarmos na civilização assírio-babilônica.
Os sumérios contribuem com suas divindades e suas lendas. Os semitas trazem sua língua, rica e flexível, e seu gênio político: agrupam as cidades e com estas, suas divindades.
As divindades conservaram um caráter local: quando uma cidade domina, elas exerciam certa hegemonia, as outras divindades subordinavam-se a elas ou às vezes, confundiam-se com elas.
O deus de Nippur, Enlil ou Bel tem grande influência.
Em Ur – a cidade de onde partir Abraão, segundo a narração do gêneses – reina Sin, um deus Lunar. Seu filho Shamash, é o um deus solar e deus da justiça.

Shamash

Na babilônia o deus é Marduk. É a ele que se refere a lenda da criação, que continua com a lenda do dilúvio. Estas lendas, de origem sumeriana, parecem ter sido redigidas ao tempo de Hamurabi.

Cultos dos sumérios

Os sumérios possuíam seres sagrados, herdeiros de totens primitivos: a águia, o touro e o leão.
O animismo coloca nos astros – no Sol, na Lua e em Vênus – espíritos que se tornaram deuses.
As divindades variam de uma cidade para outra. Estas divindades locais são, sobretudo, femininas, réplicas da grande deusa, a Mãe Universal, que foi venerada do Mediterrâneo ao Gôlfo de Bengalas, por egeus, asianos e dravidianos. Tiamat, divindade do oceano, Nana ou Nina, protótipo da Ishtar babilônica. Um deus destinado a ter grande futuro, Marduk, é o criador que, triunfando sobre Tiamat impôs forma a matéria e criou o Delta. Todas estas divindades serão reencontradas na religião babilônica onde serão também desenvolvidas as lendas suméricas da criação e do dilúvio.

Os deuses criam o homem a fim de que este institua seu culto e os alimente. O homem é feito de argila animada por um deus.

Os soberanos são filhos de deuses e são eles que asseguram a fecundidade da natureza, regulam as enchentes e presidem a vegetação.

Os sumérios que se supõe descidos da montanha, parecem ter conservado o culto das alturas que lhes inspirou, uma vez tornados mesopotâmicos, a construção dos Ziggurats, torres maciças de sete andares das quais as de Ur e de Khorsabad transmitiram-nos a imagem concreta sendo a de Babel o mais famoso exemplar.

Zigguarat de Nana

As Religiões da Ásia Ocidental


Encontramos na Ásia Ocidental, diversas religiões que apresentam constantes semelhanças, exercendo grande influência sobre outras.

Nessas regiões encontraram-se autóctones, indo-europeus e semitas. Distingui-se os semitas setentrionais (babilônicos e assírios), os semitas ocidentais (fenícios, palestinos, israelitas) e os semitas meridionais (etíopes e árabes).

O grupo dos semitas setentrionais que dominou a Mesopotâmia – região situada entre o Tigre e o Eufrates – encontrou ao penetrar o delta deste rio, as populações chamadas suméricas.

Os sumérios tiveram influência preponderante entre os meados do IV e III milenário antes da era cristã. Relacionou-se sua civilização com a dos dravidianos da Índia, supondo-se a existência de uma cultura pré-índia que se presume sumério-dravidiana.

Os sumérios descidos das estepes turquestãs ou das montanhas do Elam, precisaram cavar canais, irrigar e secar antes de tornarem-se um povo ao mesmo tempo marítimo e agrícola, cultivando os cereais que transmitiram ao resto do mundo. Aprenderam a manipular a argila para construção, para cerâmica e para a escrita.