Evolução da religião romana

Pouco a poucos os espíritos vão se tornar deuses. Alguns destes deuses conservam o caráter neutro que tinham enquanto espíritos. Os romanos os dedicam preces, às vezes sem saber se são deuses ou deusas.: sive deus sive dea (quer seja deus ou deusa).

Todos os espíritos protetores das mulheres concentram-se na deusa Juno, desde uma época longínqua do matriarcado – o próprio nome Roma é feminino. O deus Término reúne os espíritos das demarcações que separam as propriedades. Os múltiplos deuses das portas tornam-se um só deus Janus, um Janus nacional. Janus Bifrons, de duas faces, das quais uma vigia a cidade e a outra o exterior, a fim de que nenhum intruso nela penetre. As portas de seu templo, fechadas em época de paz, ficam abertas durante a guerra: é preciso permitir aos combatentes entrar em sua cidade, pois o fechamento da porta seria abominável presságio, significando que nenhum guerreiro escaparia ao massacre.

(Janus)

As múltiplas divindades dos lares transformam-se em só divindade, Vesta, adorada num templo de forma arredondada como uma cabana – o templo mais antigo de Roma – por sacerdotisas castas, as Vestais, que aí mantém o fogo sagrado.

(Templo de Vesta)

Uma divindade rural é a Boa Deusa, deusa tutelar de um bosque sagrado próximo a Roma, é ela que a confraria dos arvais venera. Hércules é o protetor dos pais de família. A essas divindades particularmente antigas outras foram se juntar.

Os indo-europeus, conduzidos à vitória por um chefe único, divinizaram talvez esse chefe mágico e guerreiro. Uma sobrevivência desta concepção seria o costume de o general vitorioso, que recebe honras divinas, aparecer trajado com vestes de um deus, montando na quadriga divina. Em compensação, o chefe cujo poder mágico se revelou insuficiente, merecia a morte.

Em todo caso, os indo-europeus introduziram seu protetor todo poderoso comparável aos Zeus dos gregos, Júpiter, deus supremo do povo, deus supremo do universo.

Com Júpiter, formam uma tríade Marte, o deus da guerra e dos soldados e Quirino, o deus da paz e dos cidadãos pacíficos.


Além disso, o Panteão romano cedo acolhe as divindades estrangeiras: as primeiras divindades latinas, como Minerva, antiga deusa de Falérias, adotada pelos etruscos, que a impõe em Roma, será mais tarde Atena, a protetora dos trabalhadores, mas não possuirá as características guerreiras. A antiga tríade Júpiter – Marte – Quirino é substituída pela tríade Júpiter - Juno – Minerva. Diana, introduzida também pelos etruscos, será mais tarde identificada a Artêmis, a deusa da sorte e dos oráculos. Vênus divindade da Ardéia, reunindo nela, como Juno os espíritos da fecundidade, que existem, primeiro em cada mulher, será identificada como Afrodite.
Como Atena, Artêmis e Afrodite, outras divindades vêm da Grécia: Apolo, Posseidon, que confundem com Netuno, outrora deus das águas correntes, torna-se deus dos Oceanos. Deméter que identificam a antiga divindade local Ceres; Mercúrio que se transforma em Hermes, dentre outros.

Um comentário:

Nicolas Domingues disse...

Bom conteúdo, gostei =D