Deméter - a mãe Terra


Deméter a mãe terra, era a soberana da natureza e protetora das crianças e jovens indefesos. Era responsável pelo amadurecimento anual do grão e, ao final do verão, o povo lhe rendia graças pela fartura que o solo havia lhes proporcionado. Ela regia os ciclos da natureza e de todas as coisas vivas. Presidia a gestação e o movimento da vida nova e abençoava todos os ritos do matrimônio como meio de perpetuação da natureza. Deméter é uma deusa matriarcal, a imagem do poder das entranhas da terra, o qual não necessita de nenhum reconhecimento espiritual dos céus.
Ela ensinou aos homens a arte de arar, plantar e colher e às mulheres como moer o trigo e fazer o pão. Deméter morava com a filha Perséfone, alheias aos conflitos e disputas terrenos, na mais completa harmonia. Entretanto, certo dia, essa vida tranqüila e feliz foi violentamente alterada. Perséfone saiu para passear e não voltou mais. Angustiada Deméter procurou pela filha em todos os lugares, mas para seu espanto, Perséfone havia sumido sem deixar vestígios. Finalmente depois de anos de busca desesperada e muita tristeza, Deméter ficou sabendo o que acontecera à filha. Hades, o tenebroso senhor das trevas, havia se apaixonado por Perséfone e subira à superfície a superfície da terra em sua majestosa carruagem, puxada por dois imponentes cavalos negros e a raptara. Enfurecida Deméter ordenou que a terra secasse, recusando-se a lhe devolver a abundância, porque não conseguia aceitar as mudanças bruscas de sua vida. Mantinha-se irredutível embora Perséfone tivesse comido de boa vontade a romã e Hades a tratasse com todas as honras de Rainha. Nada a faria mudar e o mundo estava condenado a padecer por falta de alimentos. Finalmente, graças à intervenção do astuto e bondoso Hermes, chegaram a um acordo. Durante nove meses do ano Perséfone viveria com sua mãe, devendo retornar para o marido nos três últimos meses. Embora o acordo fosse mantido, Deméter nunca se conformou totalmente com a perda da filha e todos os anos, nos três meses em que Perséfone estaria ausente, a mãe terra chorava e se lamentava. As flores desapareciam, as folhas caíam das árvores e a terra esfriava não produzindo nada. Entretanto, todo o ano, ao regresso de Perséfone, inicia-se a primavera.

2 comentários:

Marcia Souza disse...

Posso ficar horas por aqui!
bjsbjs

Anônimo disse...

Interessante a analogia entre os textos que remetem aos três personagens (Deméter, Perséfone e Hades) e o primeiro livro da Bíblia, Gêneses.

No livro de Gêneses diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e o colocou num jardim, logo depois criou Eva, produto da costela de Adão - uma forma literária de reduzir a mulher a segundo plano, fazendo jus ao pensamento das sociedades daquela região que eram (e que são até os tempos atuais) patriarcalistas.

Eva, seduzida pela serpente, comeu da maçã – fruto do centro do jardim e de consumo proibido por Deus – e, convencendo o seu parceiro Adão, o mesmo consumiu também do fruto proibido, quebrando assim a Aliança com Deus, resultando assim na expulsão de ambos, ou seja, saindo da condição de seres divinos e imortais para a débil condição humana e mortal.

A corrupção provocada pelo consumo do “fruto proibido” presente em ambos os textos, no Livro de Gêneses e no texto em que relata a “história” de Perséfone, culmina na passagem da condição divina de Perséfone e de Adão e Eva para a condição de seres de existências breves, isto é, condição de morte. Inúmeros textos de diversas origens (síria, africana, nórdica, babilônica, persa, grega, etc.), que precedem a confecção do Livro de Gêneses, mencionam tais fatos com narrativas diferentes, contudo, aludindo o mesmo fato em questão.