Marte


Marte era o deus romano, filho de Júpiter e Juno, equivalente a Ares na mitologia grega. Em contraste com sua irmã Minerva, que representava a guerra justa e diplomática, ele era o deus da guerra sangrenta, por isso tinha como características, a agressividade e a violência. Devido a sua rixa com Minerva, os dois irmãos acabaram se opondo na Guerra de Tróia. Enquanto Minerva protegia os gregos, Marte ajudava os troianos, que posteriormente perderam a guerra para os gregos e Minerva.

Mesmo sendo cruel e rude, Marte se apaixonou por Vênus, a deusa do amor. A deusa manteve relações extraconjugais com ele, pois já era casada com Vulcano. Do amor entre Marte e Vênus, nasceu Cupido.

Minerva


Correspondente à deusa Atena na mitologia grega, Minerva era a deusa da sabedoria e da artes. Seu pai Júpiter, após engolir a deusa Métis (Prudência), pediu a Vulcano que abrisse sua cabeça com o seu machado, para acabar com a dor de cabeça que ele sentia. Da cabeça de Júpiter saiu Minerva já adulta.

Minerva era uma das poucas deusas virgens, ao lado de sua irmã Diana. Normalmente a deusa portava escudo, lança e armadura, pois representava também a guerra de forma estratégica e diplomática.

Ceres


Ceres, a deusa das plantas que brotam e do amor maternal. Era filha de Saturno e Cibele, e também amante e irmã de Júpiter, normalmente era vista com um cesto de flores e frutos, um cetro e uma coroa feita de orelhas de trigo.

Ceres pediu a Júpiter para que a Sicília fosse colocada nos céus, então ele criou a constelação Triangulum, que antigamente se chamava Sicília.

A palavra “cereal” deriva do nome da deusa romana, associando a imagem da deusa aos grãos.

Os cultos romanos

O culto é familiar e nacional.
Ao centro da casa, no lar, o romano piedoso reúne a família, até seus escravos, para orar e sacrificar alguns alimentos às divindades domésticas.
Quanto ao culto oficial, é um ritualismo estreitamente associado à vida política. Os sacerdotes são funcionários do Estado e encarregados do culto público.

A frente dos sacerdotes encontrava-se o rei, substituído, em seguida por aqueles que chamavam o rei dos sacrifícios. Abaixo do rei, três flâmines, isto é, assopradores, iluminadores do fogo sagrado; o flâmine de Júpiter, o de Marte e de Quirino. Abaixo destes, os pontífices, encarregados da construção de pontes, presidiam o culto nacional. Após a abolição da realeza, o grande pontífice (pontifex maximus) torna-se o mais poderoso de todos os sacerdotes.
Os decenviros (mais tarde quindecenviros) dos sacrifícios ocuparam-se com o culto devido aos deuses estrangeiros, aos deuses helênicos. Os áugures davam a conhecer a vontade dos deuses estudando o vôo dos pássaros.

A religião romana encontrou, desde a antiguidade, ardorosos adversários. O mais eloqüente foi o poeta Lucrécio (98-55 a.C.). Outras almas, que a religião não satisfez buscaram não à reflexão filosófica, mas ao sentimento místico. Voltam-se para os cultos orientais que penetram em Roma desde o século IV e II a. C. e que exerceram uma influência crescente, notadamente sobre as mulheres, escravos e estrangeiros. O culto de Cibele de Átis, culto de Osíris e de Ísis, depois de Serápis, culto sírio do Sol e de Mitra, dentre outros. Esses cultos sempre se apoiaram um no outro, sendo considerados como um sincretismo místico.

(deusa Cibele)

Os romanos conservadores inquietaram-se com a influência que essas religiões estrangeiras exerciam e em reação exaltaram o culto à Roma. Sob o império, esse culto toma a forma do culto dos Imperadores. Por um longo caminho, volta-se a adoração primitiva dos soberanos.
Entretanto, introduzida com os outros cultos orientais, uma religião vai erguer-se contra o culto dos imperadores: a religião cristã.

A piedade simples, sedutora e sincera, com uma grande escola de obediência e de força moral manifesta-se sobre tudo no culto doméstico. Por outro lado associa-se o culto do Imperador ao de Júpiter, tornando-se uma espécie de religião universal no seio do grande império mundial. Sob esse ponto de vista, a religião romana, preparou e forneceu a expansão de outra religião: o Cristianismo.

Evolução da religião romana

Pouco a poucos os espíritos vão se tornar deuses. Alguns destes deuses conservam o caráter neutro que tinham enquanto espíritos. Os romanos os dedicam preces, às vezes sem saber se são deuses ou deusas.: sive deus sive dea (quer seja deus ou deusa).

Todos os espíritos protetores das mulheres concentram-se na deusa Juno, desde uma época longínqua do matriarcado – o próprio nome Roma é feminino. O deus Término reúne os espíritos das demarcações que separam as propriedades. Os múltiplos deuses das portas tornam-se um só deus Janus, um Janus nacional. Janus Bifrons, de duas faces, das quais uma vigia a cidade e a outra o exterior, a fim de que nenhum intruso nela penetre. As portas de seu templo, fechadas em época de paz, ficam abertas durante a guerra: é preciso permitir aos combatentes entrar em sua cidade, pois o fechamento da porta seria abominável presságio, significando que nenhum guerreiro escaparia ao massacre.

(Janus)

As múltiplas divindades dos lares transformam-se em só divindade, Vesta, adorada num templo de forma arredondada como uma cabana – o templo mais antigo de Roma – por sacerdotisas castas, as Vestais, que aí mantém o fogo sagrado.

(Templo de Vesta)

Uma divindade rural é a Boa Deusa, deusa tutelar de um bosque sagrado próximo a Roma, é ela que a confraria dos arvais venera. Hércules é o protetor dos pais de família. A essas divindades particularmente antigas outras foram se juntar.

Os indo-europeus, conduzidos à vitória por um chefe único, divinizaram talvez esse chefe mágico e guerreiro. Uma sobrevivência desta concepção seria o costume de o general vitorioso, que recebe honras divinas, aparecer trajado com vestes de um deus, montando na quadriga divina. Em compensação, o chefe cujo poder mágico se revelou insuficiente, merecia a morte.

Em todo caso, os indo-europeus introduziram seu protetor todo poderoso comparável aos Zeus dos gregos, Júpiter, deus supremo do povo, deus supremo do universo.

Com Júpiter, formam uma tríade Marte, o deus da guerra e dos soldados e Quirino, o deus da paz e dos cidadãos pacíficos.


Além disso, o Panteão romano cedo acolhe as divindades estrangeiras: as primeiras divindades latinas, como Minerva, antiga deusa de Falérias, adotada pelos etruscos, que a impõe em Roma, será mais tarde Atena, a protetora dos trabalhadores, mas não possuirá as características guerreiras. A antiga tríade Júpiter – Marte – Quirino é substituída pela tríade Júpiter - Juno – Minerva. Diana, introduzida também pelos etruscos, será mais tarde identificada a Artêmis, a deusa da sorte e dos oráculos. Vênus divindade da Ardéia, reunindo nela, como Juno os espíritos da fecundidade, que existem, primeiro em cada mulher, será identificada como Afrodite.
Como Atena, Artêmis e Afrodite, outras divindades vêm da Grécia: Apolo, Posseidon, que confundem com Netuno, outrora deus das águas correntes, torna-se deus dos Oceanos. Deméter que identificam a antiga divindade local Ceres; Mercúrio que se transforma em Hermes, dentre outros.

A religião primitiva de Roma

As sobrevivências totêmicas estão na crença em vegetais sagrados como a figueira e a fava e em animais sagrados, cujas lendas, justificam a proeminência: o lobo teria conduzido os samnitas à procura de um território, a loba, teria amamentado Rômulo e Remo, os gansos salvaram o Capitólio e os frangos eram considerados animais de presságios.

Algumas famílias conservavam os nomes totêmicos como os Porcci (porcos), os Fabii (fava). Sobre as insígnias das legiões figuram lobos, javalis e águias.

A palavra latina sacer, significa ao mesmo tempo o sagrado e o impuro. Havia dias nefastos, em que se ordena não pronunciar (non fari) as palavras sacramentais do oculto, há dias fastos. É proibido pronunciar o nome de certos deuses e tocar no saque feito durante a guerra.

O animismo romano coloca, em torno do homem, grande qualidade de espíritos. Procuram utilizá-los satisfazendo-os através da observação minuciosa de ritos.

Esses poderes impessoais são designados por uma palavra neutra – numem, plural numina. Assemelha-se a manifestação de manas, mas não parecem ligados a uma visão de conjunto sobre a unidade da matéria espalhada no mundo. São contidos em objetos materiais e aplicam-se a atos nitidamente definidos. Por exemplo, um espírito preside os campos, outro à preparação da terra, um terceiro às plantações, e assim sucessivamente.

Cada homem tem seu demônio (espírito) familiar, seu gênio (genius). Cada mulher possui um poder fecundante (juno). Há um espírito de barreira, separando as propriedades (terminus), um espírito da porta (janus), outro do lar (vesta). Existem espíritos protetores do solo e da casa, os "lares” e espíritos que protegem a despensa (penus), os penates. Quando se abandona a casa, deixam-se os lares para os outros, mas levam-se os penates. Os penates protegem os membros da família, mas não os escravos, os lares, mais populares os protegem.

(Juno)

Acreditavam na sobrevivência. Os mortos eram primitivamente enterrados sob o lar, que eles defendiam. Por eufemismo, chamavam manes (os bons) aos espíritos dos mortos. Dirigiam-lhe oferendas e refeições no dia dos mortos. Procuravam apaziguar os mortos hostis, os lêmures, através de determinadas cerimônias.

O animismo é acompanhado de magia. Os romanos reproduziam por imagens, por gestos e por palavras a realidade da qual desejava o aparecimento. Rodeiam-se as cidades com círculos mágicos para assegurar-lhes a defesa.

Festas campestres, algumas presididas pelo colégio dos sacerdotes Arvais (que significa campo), favorecem a vegetação, contribuem para o êxito da safra e das vindimas. Outros sacerdotes, os Lupercos (Lupus – lobo e Arcere – repelis), tiveram como tarefa principal correr nus - a fim de a roupa não atrapalhar a expansão da força mágica- e traçar um circulo que os lobos nunca ultrapassassem, esse era o objetivo da festa das Lupercais. Depois, Lupercos tornam-se, sobretudo estimuladores da fecundidade feminina, com um látego da pelo de bode, açoitavam as mulheres estéreis a fim de torná-las aptas à reprodução.

Os Sálios (da palavra salire – saltar) que formam outro colégio, executam, saltando e cantando, danças sagradas onde, entrechocando ruidosamente as armas e imitando o barulho das batalhas preparam a derrota do adversário e imantam seus escudos e suas lanças de força mágica.


Os textos sagrados da religião romana

Como textos sagrados, temos os fragmentos dos antigos Cantos Arvaus e dos Cantos Dálios – ambos são sacerdotes organizados em colégios. Há também os Oráculos Sibilinos, que nada tem em comum com os Livros Sibilinos que Tarquínio. Os Livros Sibilinos foram destruídos por ocasião do incêndio de Toma em 82 a.C. e foram substituídos por contrafações, fabricadas por judeus helenizantes. Os Livros Sibilinos forma adquiridos por Tarquínio pela Sibila de Cumas. Em muitas cidades as Sibilas – Pitonisas exaltadas a serviço de Apolo – proferiam oráculos bem recebidos tanto pelos gregos e romanos, como pelos orientais e israelitas.

(Sibila de Cumas)

A religião romana pode ser conhecida pelos escritores da literatura latina, especialmente por Varrão (116-27 a.C.), autor da obra intitulada De rebus divinis (das coisas divinas). O historiador Tito-Lívio (59 a.C à 19 d. C), assim como o poeta Ovídio (43 a.C à 16 d.C), comentando em seus Fastos, o calendário das festas, são também, excelentes referências.

A religião de Roma de da Itália Romana

Nos tempos pré-históricos, a Itália, foi ocupada por dois grupos humanos de diferentes origens: mediterrâneos, aparentados aos cretenses e os pelasgos da Grécia continental e indo-europeus nômades, vindos do norte, como os que invadiram a Índia, Pérsia e a Grécia.

A religião de Roma e da Itália Romana aparece como uma velha religião autóctone, acrescida da contribuição dos indo-europeus, dos etruscos, o único povo estrangeiro que impôs sua lei a Roma, sendo eles próprios penetrados por influências da Grécia, sobretudo, nas diferentes épocas de seu desenvolvimento, e finalmente, dos cultos orientais.

Deméter - a mãe Terra


Deméter a mãe terra, era a soberana da natureza e protetora das crianças e jovens indefesos. Era responsável pelo amadurecimento anual do grão e, ao final do verão, o povo lhe rendia graças pela fartura que o solo havia lhes proporcionado. Ela regia os ciclos da natureza e de todas as coisas vivas. Presidia a gestação e o movimento da vida nova e abençoava todos os ritos do matrimônio como meio de perpetuação da natureza. Deméter é uma deusa matriarcal, a imagem do poder das entranhas da terra, o qual não necessita de nenhum reconhecimento espiritual dos céus.
Ela ensinou aos homens a arte de arar, plantar e colher e às mulheres como moer o trigo e fazer o pão. Deméter morava com a filha Perséfone, alheias aos conflitos e disputas terrenos, na mais completa harmonia. Entretanto, certo dia, essa vida tranqüila e feliz foi violentamente alterada. Perséfone saiu para passear e não voltou mais. Angustiada Deméter procurou pela filha em todos os lugares, mas para seu espanto, Perséfone havia sumido sem deixar vestígios. Finalmente depois de anos de busca desesperada e muita tristeza, Deméter ficou sabendo o que acontecera à filha. Hades, o tenebroso senhor das trevas, havia se apaixonado por Perséfone e subira à superfície a superfície da terra em sua majestosa carruagem, puxada por dois imponentes cavalos negros e a raptara. Enfurecida Deméter ordenou que a terra secasse, recusando-se a lhe devolver a abundância, porque não conseguia aceitar as mudanças bruscas de sua vida. Mantinha-se irredutível embora Perséfone tivesse comido de boa vontade a romã e Hades a tratasse com todas as honras de Rainha. Nada a faria mudar e o mundo estava condenado a padecer por falta de alimentos. Finalmente, graças à intervenção do astuto e bondoso Hermes, chegaram a um acordo. Durante nove meses do ano Perséfone viveria com sua mãe, devendo retornar para o marido nos três últimos meses. Embora o acordo fosse mantido, Deméter nunca se conformou totalmente com a perda da filha e todos os anos, nos três meses em que Perséfone estaria ausente, a mãe terra chorava e se lamentava. As flores desapareciam, as folhas caíam das árvores e a terra esfriava não produzindo nada. Entretanto, todo o ano, ao regresso de Perséfone, inicia-se a primavera.

Perséfone e Hades


Perséfone é a Rainha das trevas, filha da mãe terra, Deméter e guardiã do segredo dos mortos. Hades, senhor das trevas, enlouquecido de amor pela donzela, raptou-a, enquanto colhia flores. Assim que a levou até seu reino sombrio, fez com que ela comesse a romã, fruta dos mortos. A partir de então, Perséfone estaria ligada a ele para sempre. E assim aconteceu. Durante três meses por ano, Perséfone governaria o mundo das trevas junto com o marido. Embora passasse os outros nove meses do ano na companhia de sua mãe, não podia constar a ninguém os segredos do mundo dos mortos. O reino de Hades, cheio de mistérios, era protegido pelo terrível rio Estige, que nenhum ser humano poderia cruzar sem a permissão do próprio deus. Apenas Hermes podia guiar os poucos escolhidos na travessia do temível rio. As almas dos mortos não podiam atravessá-lo sem dar uma moeda a Caronte, o velho barqueiro do Estige, que os conduziria até o portal do reino de Hades, onde ficava Cérbero, o temível cão de três cabeças e cauda de serpente, guardião dos infernos, que devoraria qualquer um, vivo ou morto, que se atravesse a ultrapassar os limites impostos pelas leis do reino invisível.
E assim, por ter comido a romã, Perséfone abriu mão da inocência da infância para se tornar à guardiã dos segredos e mistérios de seus sombrios domínios.

Dionísio - deus do vinho

Dionísio sujo nome significa o que “nasceu duas vezes”, é filho do deus dos deuses Zeus e de uma princesa mortal de Tebas, Sêmele.
A esposa imortal de Zeus, Hera, enfurecida com a infidelidade do marido, disfarçou-se de ama-seca e foi até Sêmele, ainda grávida, para persuadi-la a pedir que seu marido se mostrasse em todo seu esplendor e glória divinos.
Zeus que prometera a Sêmele jamais lhe negar coisa alguma, assim o fez para satisfazê-la. Sêmele não suportou a visão do deus circundado de clarões e morreu fuminada. Zeus apressou-se então a retirar a criança que ele gerava e ordenou a Hermes, o mensageiro dos deuses, que costurasse o feto em sua própria coxa. Assim, ao terminar a gestação, Dionísio nasceu perfeito.
Contudo, Hera não satisfeita, continuou a perseguir a estranha criança de chifres e ordenou aos Titãs, deuses terrenos, que matassem o menino, fazendo-o em pedaços. Novamente Zeus interferiu e conseguiu resgatar o coração da criança que ainda batia. Colocou-o para cozinhar, junto com a semente de romã, transformando tudo em uma poção mágica, a qual deu de beber para Perséfone, que acabara de ser raptada por Hades, deus das trevas e da escuridão, e que se tornara sua esposa. Perséfone engravidou e novamente deu à luz a Dionísio. Por essa razão Dionísio é o que nasceu duas vezes, da luz e das trevas. Convocado por seu pai Zeus a viver na terra junto aos homens para compartilhar com eles as alegrias e sofrimentos dos mortais.
Dionísio foi atingido pela loucura de Hera, indo perambular pelo mundo, ao lado de sátiros selvagens, dos loucos e dos animais. Deu a humanidade o vinho e suas benções, e concedeu ao êxtase da embriaguez a redenção espiritual a todos que decidiam abandonar e renunciar às riquezas e ao poder material. Por fim, seu pai celestial, Zeus, permitiu-lhe retornar ao Olimpo, onde tomou seu lugar à direta do rei dos deuses.

O misticismo grego

Sob a influência ou simplesmente por causa das felizes disposições do espírito grego - animado de independência intelectual, de racional harmonia e de beleza serena – os Helenos, homens livres de cidades livres, pensam livremente o que quiserem em matéria religiosa. Não há nem livros sagrados, nem dogmas impostos, nem autoridade de um clero e nem intolerantes apelos à força.
No entanto, a mais profunda vida religiosa da Grécia antiga teve por centro os mistérios. Trata-se de aproximar o homem, na medida do possível, da perfeição divina para, finalmente, permitir-lhe absorver a substância sobre-humana da qual são feitos os deuses ou, ainda, de absorver-se, de perder-se ele mesmo, no infinito divino. Esse é o misticismo grego, o esforço da alma para ultrapassar a condição humana e viver plenamente a vida divina.
Os mitos mais fortemente relacionados ao misticismo grego figuram entre Dionísio e Deméter, com todos os seus fabulosos personagens.

Dionísio

As divindades e suas sucessões

Em Creta e na Grécia, as deusas precederam os deuses.
A mais antiga das divindades foi a Terra-Mãe, Gê, deusa da fecundidade, que dá nascimento às plantas, os animais e os homens para absorvê-los a seguir.
É a Terra-Mãe que encontramos, sob diversas formas, em todas as outras deusas: em Gaia, como mãe dos deuses olímpicos, em Artemis adorada em seu famoso templo de Êfeso, em Afrodite, a deusa do amor da beleza e das flores, dentre outras.
Os deuses fizeram sua aparição após as deusas. Foram trazidos pelos invasores indo-europeus, guerreiros nômades, cujo chefe devia ser venerado como um ser divino antes de ser considerado descendente de um deus. Em todo caso, cada tribo tinha seu deus, que a conduzia à vitória. O triunfo dos conquistadores os permitiu substituir a sociedade matriarcal dos grupos pré-helêncios por uma sociedade patriarcal em que o pai tinha todos os direitos.
Antes do período da soberania guerreira, houve um período de “soberania mágico-religiosa”, durante a qual o grande deus teria sido Uranos, o Céu, que por processos mágicos imobiliza seus adversários, os Ciclopes.
Ao tempo de soberania guerreira, o grande deus é, primeiro Cronos, o tempo, que destrona seu pai Uranos e que é por sua vez foi destronado por seu filho Zeus, após uma grande luta em que os Olímpicos vencem os titãs.
Zeus, o grande deus tessálico, deus dos povos aqueus, torna-se o deus supremo. Escolhe para sua residência, além do Olimpo, outros montes, como o Ida de Creta e o Ida de Bitínia. Entretanto, acima do próprio Zeus, ergue-se um Poder contra o qual ele nada pode fazer: o Destino, as Moiras.

Moiras

Em torno de Zeus encontram-se as divindades que eram, na origem, deuses locais, cada qual considerado por sua tribo ou por seu povo como tendo poder sobre o céu, sobre os astros, sobre o mar, a terra e sobre os humanos. Depois esses deuses locais ultrapassaram os limites de sua região primitiva e, ao mesmo tempo, especializam-se, repartindo entre si as atividades divinas. São esses deuses que Homero apresenta inteiramente antropomorfizados: Poséidon, o deus do mar; Apolo, o deus do sol e da luz; Dionísio, o deus do vinho, Hermes o deus do comércio e da eloqüência e assim por diante.

O sacerdócio grego

Desde a época de Homero, há sacerdotes agregados aos templos; são os ministros dos deuses a quem servem e que os protegem. Não recebem instruções especiais, aprendem o ritual através da prática. Não são agrupados em comunidade, nem formam um clero. Seu cargo ora se transmite por hereditariedade, ora provém de eleição ou mesmo da escolha pela sorte.
Os sacerdotes presidem os sacrifícios destinados a tornar os deuses favoráveis. Purificam os fiéis, espargindo água salgado, água do mar, sobretudo envolvendo-os em fumaça, fazendo soar o sino que afugenta os maus espíritos. Realizam curas através da sugestão e de medicamentos naturais.

Os sacerdotes ocuparam-se também da adivinhação. O mais célebre os oráculos foi o de Delfos, onde a pitonisa (sacerdotisa de transe advinhatório) era purificada pela água lustral e mastigava folhas de louro, aspirava a fumaça dessa folha e em transe pronunciava as palavras que eram interpretadas pelos sacerdotes.



Em honra aos deuses celebravam grandes festas, como por exemplo, em Atenas as Panatatéias ou Pã-helênicas, como as olímpicas.
No encantador quadro do Olimpo glorificava-se Zeus em seu templo e próximo a este. Praticavam-se jogos destinados a descobrir os mais fortes ou mais hábeis. Ao mesmo tempo realizavam-se representações artísticas e musicais, conferências filosóficas e exposições de obras de arte.

A religião popular da Grécia

A religião popular grega parece haver sofrido profunda influência de um Totemismo primitivo. Havia nela vegetais sagrados, como, por exemplo, o carvalho de Dodona, que dizia oráculos e animais sagrados como o touro de Minos, o Minotauro. Muitos clãs gregos, tornados povos, usavam nomes de animais como os mirmidões (formigas) e os arcádios (ursos).

O sacrifício do animal sagrado e a absorção de sua carne em uma espécie de comunhão estão na origem de certos rituais como, por exemplo, em Atenas, o sacrifício anual de um boi divino, numa cerimônia chamada bouphoni.

Na origem, os egeus e os aqueus acreditavam numa força divina impessoal, comparável ao mana dos primitivos. Esta força encontra-se particularmente em certas pedras sagradas, supostamente caídas do céu, como o omphalos de Delphos, umbigo do mundo, assim como em algumas pedras talhadas e levantadas, como as encontradas em Knossos e que mais tarde, tornaram-se Hermes. Em Eleusis, a sacerdotisa abana o neófito para libertá-los de suas faltas e para introduzir nele, manas.

A natureza é animada por espíritos, tanto humanos como animais, assim uma fonte pode tornar-se um cavalo.

As almas dos mortos são representadas sob a forma de serpentes, de pássaros, sobretudo mariposas – a palavra psiche, designa tanto mariposa quanto alma. Os gregos eram controversos sobre a vida futura dos mortos. Ora eles continuavam debaixo da terra levando uma vida que seus descendentes devem propiciar por suas oferendas, e torná-la agradável, ora a alma, deixando o corpo, atravessa o Estígio e vai aos infernos, onde é julgada por Minos, Eaco e Radamante, se merece castigo sofre-o no tártaro, se tem direto à recompensas, será feliz nos Campos-Elíseos.

Minos, Eaco e Radamante


Uma parte essencial do culto são os ritos miméticos. Em Creta, os curetas batem nos seus escudos a fim de imitar o barulho do trovão e provocar a chuva. Em Creta e em Delos, Ariana dirige as danças complicadas através do labirinto, imitando a marcha do sol pelo mundo das estrelas, auxiliando-o dessa maneira a cumprir bem sua trajetória.
Na Grécia, a escultura, a dança, a poesia, o teatro, todas as diversas formas de arte, tiveram sua origem na magia.

Grécia e sua religião


Não se pode estudar a religião da Grécia e utilizar o livro sagrado porque este jamais existiu, até porque, jamais houve dogmas impostos.
As principais fontes são as obras de literatura grega, particularmente Ilíada e a Odisséia de Homero ou de autores apontados com esse nome e os poemas de Hesíodo que datam entre o século IX ou VIII a.C.. São fontes também os documentos materiais e psicológicos descobertos no curso de magníficas escavações feitas pelo alemão Schlieman (1822-1890) em Tróia, Micenas e Tirinto, pelo inglês Evans em Knossos e Creta e pela Escola Francesa de Atenas.
Estas descobertas permitiram desfazer dois graves erros a respeito da religião da Grécia. Os gregos da época clássica tinham admitido e feito crer aos historiadores, que, nos tempos primitivos, os invasores indo-europeus haviam levado a religião a populações então selvagens. Sabe-se hoje, no entanto, o quando essas populações conquistadas eram superiores aos conquistadores.
Por outro lado, acreditou-se que os deuses antropomorfizados de Homero e dos escritores gregos, estariam no centro da vida religiosa helênica. Sabe-se, atualmente, que ao lado dessa religião oficial houve outra, popular, muito mais viva e também uma corrente mística, ainda mais profunda.

Grécia antiga

Entre o III e o I milênio a.C. houve em Creta e depois no Peloponeso, grandes civilizações que se chama Egéa, depois Minossense e depois ainda, Micênica.
Pelo ano 3000 a.C. os egeus haviam fundado em Creta um império que pelo auge de sua grande extensão foi chamada pelo nome de seu maior soberano, o lendário Minos. Sob a direção desse monarca, Agamenon e os aqueus, apoderaram-se de Tróia por volta de 1180, após um demorado sítio e destruíram o império hitita. Mas, por sua vez, foram vítimas de invasões. Em 1100, outros indo-europeus, vindo do norte, dos quais os mais enérgicos eram os dórios, rechaçaram os aqueus da Ática e das ilhas. Os invasores não apenas reconhecem a superioridade da civilização invadida, como também assimilam suas crenças e costumes.