Princípio dos Tempos

A cosmogonia fenícia explica-nos a formação do universo a partir de uma espécie de caos aquoso, formado por uma mistura de ar vaporoso e água turva, o que deu lugar à formação de limo, ou barro, do qual nasceria a vida; embora isso sucedesse depois de uma imensidade de tempo. E é que o princípio de todas as coisas foi o tempo: "o tempo cósmico que abraça tudo nele."

Uma série de eventos diferenciados que, por meio da escuridão e do desejo, chegaram a confluir no mais recôndito do mundo - uma vez que houve “tempos” fizeram possível o advento da vida-. O último em atuar foi o Sol que, com o seu calor, separou a água do barro e a nuvem do ar, o qual fez possível a origem do diverso e, além disso, o início do que chama-se criação. O ruído ensurdecedor, semelhante ao trovão, e a luz cegadora, similar à do raio, despertaram todas as criaturas -tanto os machos como as fêmeas - que até a essa altura permaneciam em letargia, as quais correram assustadas e se espalharam pela face da Terra para, assim, a povoarem.
Lavraram os campos e, ao princípio, adoraram como deuses os próprios frutos que a terra lhes dava. Com o passar do tempo, descobriram o fogo, cobriram-se com roupagens desenhadas por eles próprios, inventaram a escritura sobre tábuas de argila e sobre papiros e, de novo com o tempo como aliado, descobriram o poder da magia e os principais remédios contra o veneno de muitos répteis.

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