O Zen


Finalmente, uma das escolas budistas deu lugar a uma doutrina plenamente japonesa -o zen- a partir de uma ideia chinesa -o chan- que procura a identificação do indivíduo com o espírito universal. Mas o zen chegou a tomar forma própria nas suas diversas vertentes ou seitas, nas quais prevalecia quer a experiência mística, quer a reflexão. O zen, a meditação pura, aproximou-se muito mais do que nenhuma outra forma do budismo ao espírito do seu fundador, embora também se diferenciasse do seu tratamento ascético, de maneira que converteu-se numa forma de tentar encontrar, só pela pretendida intuição, o controle da matéria e o movimento. O zen trata de alcançar o conhecimento dos mistérios através de um misticismo libertador, de uma revelação ou encontro com o mistério, de uma meditação sem lógica, mas com fé, que é simplesmente a fuga do racionalismo e o abandono de qualquer tentativa de explicação teológica ou mitológica do Universo. Por essa simplicidade da dedicação a uma única idéia, o exercício individual da introspecção, do silêncio e a falta de necessidade de explicar-se ou explicar aos outros, o zen arraigou rapidamente entre os guerreiros, entre os samurais, convertendo-se rapidamente numa religião que era só um instrumento, um meio auxiliar, que tratava de levar os seus fiéis ao triunfo individual.

O zen concretizou-se numa série de práticas que tinha que realizar numa sucessão inseparável, regras de compreensão muito fácil e sem exigências intelectuais, para tentar alcançar a sua meta em quatro passagens consecutivas: situar-se numa única idéia, fazendo possível a concentração espiritual; fazer a reflexão na paz do espírito; conhecer o prazer da serenidade; depurar a concentração de qualquer sentimento, para conseguir o objetivo final da serenidade perfeita e pura, alcançando o indivíduo o controle instantâneo e total do poder cósmico, a unidade com a realidade universal.

Nenhum comentário: