Amaterasu

Amaterasu também conhecida como Ama-Terasu-Oho-Mi-Kami. Deusa do sol, divindade japonesa que vela sobre os homens e os enche de benefícios. Nasceu do olho esquerdo de Izanagi e domina o panteãoxintoista, em que figura um certo número de personificações das forças naturais.


"Amaterasu vivia em uma gruta, em companhia de suas criadas, que lhes teciam cotidianamente um quimono da cor do tempo. Todos os dias de manhã, ela saía para iluminar a Terra. Até o dia em que seu irmão, Susanoo, deus do Oceano jogou um cavalo esfolado nos teares das criadas tecelãs. Assustadas, elas se atropelaram, e uma delas morreu, com seu sexo furado por sua própria laçadeira. A deusa Amaterasu não apreciou a brincadeira: não gostava de cavalo cru. Zangada, recolheu-se em sua gruta e a luz desapareceu. E o pânico foi semeado até no céu, onde viviam os deuses e as deusas, que como os humanos, também não enxergavam nada. Eles se reuniram e bolaram um estratagema. Pediram a Uzume, a mais engraçada das deusas, que os distraísse diante da gruta fechada em que Amaterasu estava amuada. Uzume não usou de meios termos: levantando a saia, pôs-se a dançar provocantemente, exibindo suas partes íntimas com caretas irresistíveis. Estava tão divertida que os deuses desataram na gargalhada... Curiosa, Amaterasu não aguentou: entreabriu a pedra que fechava a gruta, e os deuses lhe estenderam um espelho onde ela viu uma mulher esplêndida. Surpresa, ela se adiantou. Então os deuses agarraram-na e Amaterasu saiu para sempre de sua gruta. O mundo estava salvo."

Mitologia Xintoísta

Para o xintoísmo, tudo o que existe provém da ação recíproca de dois princípios: yo, o princípio ativo e in, o passivo. Assim, nasceram as primeiras sete gerações das divindades celestiais que ficaram inativas; o último casal dessas divindades, Izanagi (céu) e Izanama (terra), após ter mexido com sua lança na terra pantanosa, deixaram cair algumas gotas de lama que, ao se solidificar, criaram as duas ilhas Futaminoura que escolheram para própria habitação.

Deles, nasceram várias divindades entre as quais Amaterasu O Mi, a deusa do sol, que deu origem a Jimmu Tenno, o antepassado que deu origem à raça Yamato e fundou o império nipônico em 600 a.C.

Além disso, o xinto admite uma miríade de kamis, ou espíritos, que moram em tudo o que existe, cada qual com seus mitos.
Os kamis podem se manifestar sob formas antropomórficas, ou seja, com corpo e paixões humanas.

Conceitos do Xintoísmo

Para o xintoísta, tudo é divino inclusive o homem e, portanto, a experiência religiosa é tomar consciência da própria natureza divina, contemplar essa essência em nós e nos outros.

O xintoísmo possui um senso de familiaridade com o divino e de adoração a tudo aquilo que é superior ao homem: ele encontra o absoluto na atmosfera de uma paisagem, nas montanhas que são sagradas, nas ilhas, nas cachoeiras e nos rios. Essa alma profundamente religiosa conserva-se mesmo nestes tempos de sofisticadas tecnologias, sendo que as peregrinações aos numerosos santuários japoneses, construídos, geralmente, em lugares bonitos favorecem a contemplação.
Existe também uma espécie de sacerdote, o kannushi, com atribuições específicas nos templos ou santuários onde exercem suas funções, ainda que todos os homens e mulheres possam presidir o culto.



A salvação é alcançada através da observação de todos os tabus e evitar pessoas e coisas que possam causar impurezas ou poluição. As orações são feitas e oferecidas, levadas aos tempos de deuses e deusas, os quais são ditos como sendo de 800 miríades no universo. As pessoas precisam apenas saber como se adaptar a Kami nas várias ocasiões. A natureza Kami de uma pessoa sobrevive à morte, e uma pessoa naturalmente deseja ser respeitado entre os seus descendentes pela lembrança aprobatória. Portanto, a responsabilidade das obrigações ocupa o lugar de maior importância no Xintoísmo.


Dentro da visão Xintoísta de mundo e de organização um homem precisa primeiramente cuidar e honrar sua família e depois a nação, sendo esta última a de maior importância. Coloca-se a sua disposição, pronto para sacrificar-se e a tudo que possua por ela. O coletivo é maior que o pessoal. Dois é mais que um.

Ética Xintoísta


O que vale é a autoconsciência, ou seja, o homem sabe, pela sua própria natureza, o que deve fazer.

A vida, os instintos e tudo o que serve para conservá-la e torná-la mais bela são avaliados de maneira positiva. A morte e tudo o que a ela conduz - como doença, falta de sorte e infelicidade - são avaliados negativamente e devem ser evitados.

Não existindo pecado, não deveria existir o sentimento de culpa ou de perdão, mas o xintoísmo recorre às purificações por um sentimento de deferência a quem é mais justo e forte como os kamis.

Uma virtude particularmente cultivada no xintoísmo é o senso de honra, considerado até mesmo como um valor com fim em si mesmo. Depois vem a fidelidade, especialmente ao imperador e, em seguida, ao grupo a que se pertence, a obediência aos superiores, o sucesso nos estudos e na vida, o autocontrole e o não prejuízo ao próprio grupo e à sociedade.

A pureza é outra virtude. Há dois significados de pureza, um é o da pureza externa, ou pureza corporal, e o outro são da pureza interior ou pureza do coração. Se um homem está favorecido com a verdadeira pureza interna do coração, ele de fato irá alcançar a comunhão com o Divino. A sinceridade é, também, muito importante dentro do Xintoísmo.

Xintoísmo

Xintoísmo ou Xinto significa “via dos deuses” ou “caminho divino”. É a religião animista do Japão e durante muitos anos não teve nome sendo o termo “Xinto” adotado somente no século VI de nossa era.

O Xintoísmo é, sobretudo o culto aos Kamis. Por Kami podemos entender todos os espíritos que são sagrados e que incluem os ancestrais (os mortos da família, de um clã, região ou nação) e todos os espíritos da natureza (como o espírito do sol, da Lua, da montanha, das plantas das tempestades, etc.).

Para os Xintos os mortos são divinos, continuam a circular entre os vivos. Aos vivos cabe suprir todas as necessidades de seus mortos, pois eles determinam tanto os acontecimentos naturais como os pessoais de seus descendentes. Deixá-los sofrer qualquer tipo de necessidade ou não honrá-los como merecem significa má sorte ao vivo.

O Xintoísmo não possui fundador e não tem dogmas. O culto ao Kami é realizado de forma livre e pessoal. Possuem por base o amor e respeito à tudo que é vivo e para eles tudo tem vida. Pode ser traduzido como uma atitude de agradecimento à vida, aos seus mortos e a natureza.

Os livros sagrados (para os japoneses todos os livros de história são sagrados) do Xinto datam também do século VI de nossa era e são conhecidos como “Kojiki” (Anais das coisas antigas) e “Nihongi” (crônicas).