O reino dos mortos

Segundo a tradição popular chinesa, as almas eram conduzidas ao reino dos mortos para serem julgadas. Nesse reino controlando a passagem para seu interior encontramos o "Deus da Porta".
Se tudo estivesse em regra, a alma podia passar e toparia imediatamente com o deus de "Muros e Fossas", que era o encarregado de submetê-la ao primeiro, e mais benigno, dos julgamentos. No entanto, os interrogatórios duravam quarenta e nove dias, um número pleno de conotações simbólicas entre muitos povos do extremo oriente:

"Este é o prazo de que necessita a alma de um morto para alcançar definitivamente a sua nova morada. É a terminação da viagem, durante os quais a alma permanecia retida nos domínios do deus de Muros e Fossas.”

Este deus pode condená-la ou entregá-la ao próximo juiz, passando então à presença do Rei “Yama", que se encarregará de decidir, após um novo interrogatório, se aquela é uma alma justa ou não. Se for o primeiro, a alma será enviada para um dos paraísos chineses - o que se encontra na "Grande montanha" ou "Terra da Extrema Felicidade de Ocidente", onde gozará de liberdade e felicidade eterna.

(Yama)

Se, pelo contrário, o "Rei Yama" sentenciou que se trata de uma alma pecadora então esta será lançada aos abismos infernais. Depois de sofrer dores e castigos sem fim, a alma chegará ao décimo lugar de perdição. Uma vez aqui será obrigada a reencarnar-se e poderá escolher entre um animal ou um humano.

Ao reencarnar em um animal, não perderá o seu antigo sentir humano e, por esse motivo, sofrerá quando a maltratem ou quando a matem. A alma reencarnada, antes de sair do décimo Inferno e dirigir-se para o lugar onde se encontra a "Roda das Migrações" ou “Roda da Vida”, deve beber o "Caldo do Esquecimento" para que guarde segredo de tudo que viveu anteriormente, tanto nas vidas passadas como nos domínios infernais.

Esta beberagem era preparada pela deusa que habitava a misteriosa casa edificada na saída do Inferno. Todas as almas que abandonassem aquele lugar tinham que beber o "Caldo do Esquecimento", pois só então lhes seria permitido continuar e consolidar a sua reencarnação.

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