Classificação dos Cinco Elementos


Fogo:
Ligado ao verão, associado a todas as forças que têm tendência a subir (o fogo vai sempre na direção do céu), esta energia é representada pelas formas pontudas e triangulares. Ao fogo são ligadas todas as energias que tenham a força do esplendor e crescimento.
Cores: vermelha, dourada
Órgãos: coração/intestino delgado
Sabor: amargo
Planeta: Marte
Cereal: arroz


Terra:
É o centro do universo, a força geradora o Tao. Todos os outros elementos atuam segundo as suas energias sazonais da Terra. Todavia, a terra não está fora do processo: sofre os efeitos de todos os outros elementos. Corresponde às formas geométricas que possuam quatro lados regulares (quadrados e retângulos), pois está envolta com os quatro ciclos sazonais.
Cores: azul, amarela, cor de rosa
Órgãos: baço/estômago
Sabor: doce
Planeta: Saturno
Cereal: milho


Metal:
Ligado ao outono, é o momento de introspecção, contração e reflexão, quando nos voltamos para o interior. O movimento é também de distanciamento e retração. Corresponde às formas circulares e circunferências (os metais, quando derretidos, assumem a forma de uma bolha).
Cores: branca, cinza e tons pastéis
Órgãos: pulmões/intestino grosso
Sabor: picante
Planeta: Vênus
Cereal: aveia


Água:
É o inverno, quando tudo cessa e ocorre um recolhimento profundo e natural; a passividade e as profundezas do ser pertencem ao elemento água, porque ela se adapta ao recipiente que a contém sem, contudo deixar de ser água. Sua forma é ondulada.
Cores: preta e tonalidades escuras (no inverno a luz é pouca, e as águas, ao contrário da crença geral, são escuras quando em grande quantidade).
Órgãos: rins/bexiga
Sabor: salgado
Planeta: Mercúrio
Cereal: soja


Madeira:
Primavera é a germinação da vida, é o crescimento (não só para cima, mas o crescimento que resulta do amadurecimento também). A forma da madeira é o cilindro, que contém em si a semente de todas as outras formas elemento (a força para o céu do fogo, o círculo do metal, a forma concentradora da terra e o movimento da água).
A madeira é o quinto elemento, que reúne em si todos os outros e produz o fenômeno da vida.
Cores: verde, rosa choque
Órgãos: fígado/vesícula biliar
Sabor: ácido
Planeta: Júpiter
Cereal: trigo

Teoria dos Cinco Elementos

A teoria dos cinco elementos ou “Wu Hsing”, surge em data incerta e é extremamente antiga. Os registros históricos de sua utilização foram encontrados em diversas descobertas arqueológicas, em tumbas e em antigos castelos que datam de mais de cinco mil anos de idade. Esta teoria está ligada ao Taoísmo constituindo a base filosófica de todo o pensamento chinês, independente da escola ou religião.

Os cinco elementos representam as propriedades da matéria, ou cinco estados de movimento que são resultantes da interação entre Yin (feminino), Yang (masculino), o Ch’i (energia) e o Sha (falta, ou bloqueio na energia).

Esses movimentos indicam as formas pelas quais as energias se organizam e interagem no meio ambiente e nos corpos humanos. O Taoísmo descreve um ciclo de produção e um ciclo de controle agindo sobre os elementos. Tudo que conhecemos ou pensamos como realidade é um símbolo e um reflexo dos céus, de tal forma que, entendendo o relacionamento macro-cósmico das coisas podemos entender esse mesmo relacionamento em escala menor, ou no microcosmo. Tudo o que existe na natureza e no homem é classificado dentro da teoria dos cinco elementos. Esses elementos estão em constante transformação entre si, e são classificados de acordo com as estações do ano, e os planetas visíveis. Todos os órgãos do corpo humano estão ligados a um dos cinco elementos. A doença ou saúde são determinadas pelo fluxo de Ch’i (energia) e a interação dos elementos, nos processos de produção e controle.
Os 5 elementos são: fogo, terra, metal, água e madeira.

Ciclo de produção: a madeira produz o fogo, o fogo produz a terra, a terra produz o metal, o metal produz a água, a água produz a madeira.

Ciclo de Controle (dominação/inibição): a madeira controla a terra, a terra controla a água, a água controla o fogo, o fogo controla o metal e o metal controla a madeira.

O Ciclo de produção delineia um pentágono e a cadeia de controle delineia um pentagrama, ou estrela de cinco pontas.


Homenagem a Kuan Yin

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Espetáculo de dança chinesa em homenagem a Kuan Yin.

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Mito mais difundido no Budismo Chinês

Kuan Yin

Na mitologia chinesa, Kuan Yin é conhecida como a Deusa da Compaixão e da Misericórdia. Ela existiu como pessoa, igual a todos nós e somente depois de sua morte foi transformada em Deusa. Também conhecida como Quan'Am (no Vietnã), Kannon (no Japão), e Kanin (em Bali). Ela cobre as planícies alagadas do Oriente, do Egito à China. E é venerada em todo o mundo por milhões de pessoas, que a consideram o símbolo máximo da pureza espiritual.

Esta Deusa enquanto viveu, percorreu o mundo, viu muita dor e então, jurou proteger e amparar todos os humanos até que o último sofrimento acabe.

Kuan Yin, cujo nome significa "aquela que ouve os lamentos do mundo" é boddhisatva da Compaixão no budismo chinês. Ela vive em uma ilha paradisíaca de P'u T'o Shan, onde ouve todas nossas preces. Mesmo tendo alcançado a iluminação, Ela optou por permanecer no mundo dos homens.

Kuan Yin é representada com um dragão, pois ele é o símbolo mais antigo da alta espiritualidade, a sabedoria, a força e os poderes divinos de transformação.
As mãos dela formam freqüentemente o Yoni Mudra, simbolizando o útero como a porta para entrada para este mundo pelo princípio feminino universal.



Outras vezes, Kuan Yin é representada sentada sobre uma flor de lótus. Nas pinturas dos artistas tibetanos, linhagens de Budas e homens santos também aparecem flutuando sobre flores de lótus - uma representação dos tronos da suprema espiritualidade.

Na teologia Budista Kuan Yin é algumas vezes representada como capitã do "Barco da Salvação", guiando as almas ao Paraíso Oeste de Amitabha, a Terra Pura, a terra das bençãos, onde as almas podem renascer para continuar recebendo instruções até alcançar a iluminação e a perfeição.

Ela é também uma das quatro Bodhisattvas (P'u-sa em chinês), e em seu aspecto masculino se identifica com o Bodhisattva Avalokiteshvara: "Quem ouve e chora o mundo". Um dia ela conseguiu descer aos infernos. Mas era tão piedosa e bela que o lugar de suplício tornou-se um local de delícias e foi preciso expulsá-la dali para que os infernos não tivessem sua destinação modificada.


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O Budismo Chinês

Não se sabe ao certo em que momento o Budismo entrou em território chinês. Acredita-se que foram as missões enviadas pelo Rei Asoka os responsáveis pelo primeiro contato dessa doutrina com a China. Segundo outras tradições essa penetração se realizou sob o reinado de Ming-ti entre 58 e 76 de nossa era, da dinastia dos Han posteriores. A propagação do budismo foi a princípio, tímida e discreta; mas no terceiro século já estava bastante difundido. No século IV foi permitido aos chineses tornarem-se monges budistas e no início do século seguinte, um célebre peregrino budista Fa-Hien, introduziu na China uma grande quantidade de documentos búdicos que buscou diretamente na fonte, na Índia. O Budismo que chegou à China foi o mahãyãna.

O Budismo chinês, denominado foísmo ou Fo-Buda foi adquirindo um caráter próprio e pessoal. Uma das razões para isso ter acontecido foi a dificuldade encontrada pelos tradutores dos textos indianos. O idioma chinês não se presta muito à expressões abstratas de idéias e teorias. A solução encontrada foi o recurso às expressões usadas no Taoísmo e no confucionismo conforme as semelhanças que se apresentavam.

O Budismo chinês tornou-se então uma doutrina bem diferente do Budismo autêntico. Em lugar de nirvana, pregou a calma, a tranqüilidade do espírito; em lugar da abolição do desejo, o não agir Taoísta ou entre os Confucionistas, o respeito às regras e às formas tradicionais.

A China dá ao Budismo uma atitude menos especulativa, menos interessada pelos problemas metafísicos e mais resolutamente orientada para os problemas da vida cotidiana. O Budismo, por seu lado, inculta à China uma atitude mais profundamente religiosa. A piedade filiar, que era sobretudo uma virtude de família, se transforma em um culto. Os antepassados passaram a ser olhados como habitantes de um mundo sobrenatural. E, o sentimento búdico da piedade para com todos os seres que sofrem, da bondade universal, foi para a China uma espécie de revelação. A Índia levou ao Celeste Império o sentido da caridade e da beneficência.
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Alquimia chinesa

A alquimia chinesa está relacionada com o Taoísmo. As confrarias Taoístas eram formadas pelos ferreiros, detentores das artes mágicas e segredos divinos. A obra mais conhecida da alquimia chinesa foi elaborada por Ko Hung (343-283 a.C.), contendo dois capítulos sobre os elixires de longa vida, baseados em mercúrio e arsênico.

A alquimia pode ser considerada uma evolução da arte arcaica dos mineiros, ferreiros e curandeiros e a relação destes com as substâncias minerais, particularmente no comportamento ritualístico. É considerada como a mãe da química.

Na filosofia/simbologia da alquimia os metais são gerados nas profundezas da Terra, da mesma forma que os fetos crescem no ventre das mulheres. Desta forma, a preparação dos metais a partir dos minerais nas forjas primitivas, que utilizavam o fogo e o vento soprado pelos foles, equivaleria às práticas pelas quais o discípulo deveria passar para atingir a perfeição. A arte alquimista consiste em produzir em suas oficinas o mesmo processo evolutivo que os metais naturalmente passariam - de metais impuros para mais puro e indestrutível, o ouro. Em seus laboratórios realizam a transformação a partir de técnicas que aceleram a purificação dos metais, assim como o homem poderia realizar em si a transformação tornando-se imortal.

Havia, então as técnicas dos minérios e das fundições de bronze, ao lado da medicina arcaica dos "elixires", cuja finalidade última era a obtenção da longevidade. Ambas eram míticas, ritualísticas e mágicas. Os técnico-mágicos se constituíram como artesãos. Possuíam receitas pelas quais extraíam os metais da terra, fabricando ligas e imitando o ouro; assim como preparavam poções que curavam os doentes, conferiam-lhes longevidade e, talvez, imortalidade. Estabeleceu-se desde muito um paralelismo entre o comportamento dos metais e dos homens. Aqueles como estes sofriam doenças, contaminam-se e padecem; com exceção do ouro, que resiste tanto à umidade quanto ao fogo, permanecendo íntegro após centenas de operações. O homem, também, poderia melhorar-se por práticas ascéticas e ingestão de drogas, até atingir a perfeição e a imutabilidade do ouro.

A alquimia chinesa divide-se em duas categorias:

A alquimia externa, ou Vaidan, sempre acompanhou a medicina, a preparação dos elixires, a herbologia e a aplicação externa de métodos para equilibrar, reduzir ou aumentar o ch’i (energia vital), através do uso de compressas de unguentos, magnetização, massagem, moxabustão, nutrição, acupuntura e etc.

A Alquimia interna ou Neidan é chamada de alquimia espiritual e procura métodos para ativação da energia interna que gere o elixir da imortalidade no próprio corpo do alquimista.

As práticas Taoístas

Com o decorrer dos anos as práticas Taoístas adquiriram uma grande complexidade que foram se somando as práticas e crenças de outras religiões como o Budismo, resultando na introdução de vários deuses, deusas e génios.

Encontraremos nas práticas do Taoísmo a teoria dos cinco elementos que formam a base da medicina chinesa, da astrologia e o complicado sistema do I-Ching com seus hexagramas, assim como o Feng Shui e a alquimia.

Tentativas de alcançar maior longevidade eram um tema frequente na magia e alquimia taoístas, com vários feitiços e poções, ainda existentes, com esse propósito.
Muitas versões antigas da medicina tradicional chinesa foram enraizadas no pensamento taoísta, e a medicina chinesa moderna bem como as artes marciais, como o Tai Chi Chuan, são ainda de várias formas baseadas em conceitos taoístas.

A parte mais complexa dos rituais Taoístas é em relação a sexualidade. Assim como no Tantra indiano, a união sexual é um ato sagrado, uma das vias para se chegar ao Tao. Essa via tanto pode ser trilhada através da prática física, como por abstenção desta, realizando a absorção das energias através da meditação e diferentes técnicas conhecidas como alquimia interior.

Segundo os textos gnósticos o Taoísta deve abster-se da ejaculação e do orgasmo, para fins de refinar os elementos que constituem os “Três Tesouros”, que formam a cúspide da filosofia oriental, que são: Ching (essência), relacionado com os fluidos sexuais; Ch'i (vitalidade) e Shen (espírito).

A refinação e transmutação dos Três Tesouros visam incrementar o tempo de vida e o vigor do adepto, assim como aumentar e purificar sua reserva natural de espírito. O veículo da essência é o fluido sexual, que deve ser conservado com o maior cuidado para reagir com Ch'i (vitalidade) e Shen (espírito).

Representação da alquimia Taoísta

O objetivo fundamental da alquimia é fundir a energia superior e inferior para engendrar calor psíquico, através de um controle estrito do sêmen e da respiração.

"Quando o homem ama uma vez sem perder o sêmen, fortalecerá seu corpo. Se ama duas vezes sem perdê-lo, a audição e a visão se tornarão mais agudas. Se três vezes, talvez desapareçam todas as enfermidades. Se quatro vezes, terá paz em sua alma. Se cinco vezes, o coração e a circulação do sangue estarão revitalizados. Se seis vezes, a barriga enrijecerá. Se sete vezes, as nádegas e as pernas talvez se tornem ainda mais poderosas. Se oito vezes, talvez a superfície da pele se uniformize. Se nove vezes, alcançará a longevidade. Se dez vezes, será um imortal".[1]
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[1] Diálogo de Lao-Tsé com duas de suas Mestras do Tao do Amor.
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Filosofia do Taoísmo

A filosofia do Taoísmo é vista como um contraponto a de Confúcio. O Confucionismo dava maior importância ao conhecimento e a erudição, bem como a ordem governamental. No Taoísmo adquirir conhecimento ou alcançar uma ordem não é fundamental, pelo contrário, precisa-se criar uma simplicidade de ser e de viver, olhar o mundo com os olhos de uma criança, sem julgamentos. Aprender com as crianças, com os animais, com a natureza constitui a simplicidade de ser. O conhecimento não é obtido através dos livros e estudos, mas da intuição e da interação com a natureza. A obrigação de se adquirir conhecimento e de se seguir ordens rígidas, conduz os homens a um distanciamento de sua natureza e consequentemente do Tao. Se vivermos de acordo com a natureza a ordem será natural, seguirá o ciclo imutável da mutação e conduzirá os homens ao autodesenvolvimento.

O Taoísmo prega a não-ação o “wu wei”, não é a mera inatividade, mas sim a ação perfeita. É a ação feita em perfeita harmonia com o todo, em perfeita harmonia com a natureza, em perfeita harmonia com a pessoa e sua situação. É totalmente livre, porque nela não há nenhuma força ou violência. O Taoísmo crê que existe uma maneira natural de ser e de agir. Esta maneira de agir é tão harmônica e tão equilibrada, que ela não irá se chocar com nada. Ela é simples e natural. É como a água de um rio: quando ela encontra o seu caminho natural, ela corre em harmonia. Assim também o ser humano deve descobrir sempre o seu caminho natural. Com isso ele irá agir sem qualquer violência, mas irá sempre alcançar o objetivo de sua ação.

Aquele que segue o Tao segue a ordem natural das coisas, não olhando a natureza ou julgando as virtudes ou defeitos dos outros. Esse caminho inclui a purificação de si mesmo, através do aniquilamento dos apetites e emoções, em parte realizados pela meditação, controle da respiração e outras formas de disciplina interior, geralmente sobre a direção de um mestre espiritual, que conduz o discípulo ao desapego das dez mil coisas do mundo e a autoconsciência.

Ações tomadas de acordo com o Tao são mais fáceis e mais produtivas. A violência deve ser evitada sempre que possível e as vitórias militares são apenas uma ocasião para lamentar a necessidade de usar a força contra outros seres vivos.
As três virtudes principais são coragem, generosidade e liderança. Para evitar a hipocrisia, Lao Tsé aconselha a "agir sem agir" sendo espontâneo, de acordo com os próprios sentimentos, sem pensar na aprovação dos outros.

O desejo obstrui a habilidade pessoal de entender o Tao, moderar o desejo gera contentamento, pois quando um desejo é satisfeito, outro, mais ambicioso, brota para substitui-lo. Em essência, a vida deve ser apreciada como ela é, em lugar de forçá-la a ser o que não é. Idealmente, não se deve desejar nada, "nem mesmo não desejar".

Ao percebermos que todas as coisas são interdependentes e constantemente redefinidas pela mudança das circunstâncias, passamos a ver todas as coisas como elas são, e a nós mesmos como apenas uma parte do momento presente. Esta compreensão da unidade nos leva a uma apreciação dos fatos da vida e do nosso lugar neles como simples momentos miraculosos que "apenas são".

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Fundamentos do Taoísmo

O principal fundamento do Taoísmo e a existência do Tao, que significa caminho, método ou estrada. O Tao é considerado como “princípio da ordem natural”, o UM, do qual toda a vida emerge através de duas substâncias, o Yin (feminino) e o Yang (masculino), o DOIS. São representados como dois dragões entrelaçados ou um dragão e um tigre. Essas duas substâncias ou polaridades usam como meio para se combinar as chamadas Veias do Dragão, isto é, linhas invisíveis cuja função é parecida com a dos canais psíquicos (nadis, plexos e chacras) dentro do corpo humano, criando as DEZ mil coisas do mundo.


Todos os elementos da natureza podem ser classificados como yin ou yang. Originalmente yin e yang designavam o lado sombreado e o lado ensolarado de uma montanha. Assim, fundamentado nesta teoria, tudo o que está ligado à terra é feminino e do âmbito de yin. Tudo o que está ligado ao céu é de yang e é masculino, pois o céu e a terra, o sol e a lua têm sua origem de yin e yang. Yang é a força de iniciar, de dar começo, algo dinâmico, que se expande, é redondo, se movimenta, é masculino e fecundante. As associações elementares com yin, por outro lado, são: algo que se completa, estático, conservador, includente, quadrado, tranqüilo, feminino, que dá à luz. A idéia destes dois princípios foi estendida a outros âmbitos, vindo a designar aspectos complementares em grupos sociais e a complementaridade sexual. Por trás dos conceitos de yin e yang está tanto a idéia de forças contrárias, como também a idéia de complementação, da interdependência, da confluência. Tudo o que existe, está ligado a estes dois princípios.

Para os taoístas, o ser humano deve descobrir seu caminho (TAO), agir de maneira perfeita e natural, percebendo que nele há forças que são contraditórias e complementares (yin e yang). O Tao segundo as palavras de Lao Tsé:


"Tal é uno. Ele não tem começo. Ele irá permanecer para sempre. É impessoal, eterno, imutável, onipresente, sem corpo, imaterial. Ele não pode ser percebido pelos sentidos. Ele é sem nome. Ele é indescritível. Ele é a causa primeira da qual todas as substâncias têm a sua origem, e de onde todos os fenômenos emanam. O grande Tao é o todo penetrante. Todas as coisas dependem dele para viver. Ele é a mãe de todos os fenômenos; do céu e da Terra. Ele é o originador do Céu e da Terra. Ele é a mãe de todas as coisas". [1]

O Tao ou caminho, não pode ser explicado por palavras, é preciso que o buscador o encontre dentro de si.

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[1] Tao Te Ching – Lao Tsé.

Lao Tsé





Os Shiji - registros dos Historiadores - feitos pela dinastia Han cerca de 400 anos depois da época de Lao Tsé, trazem uma biografia do pensador. De acordo com esse texto, ele nasceu em Chu na província de Henan. Algumas lendas dizem que sua mãe teve uma gestação de oito anos e a criança nasceu de cabelos brancos: daí viria seu título, que pode significar tanto "velho mestre" como "criança velha".

Confúcio e Lao Tsé teriam se encontrado quando Lao Tsé trabalhava como arquivista na Biblioteca Imperial da dinastia Zhou (século VI a.C.). De acordo com essas histórias, eles discutiram durante meses e Lao Tsé teria influenciado o pensamento confucionista.
Com a perda de poder da dinastia Zhou, Lao Tsé largou o emprego e viajou para o Oeste em seu búfalo, atravessando a China para depois desaparecer no deserto. Antes disso, um guarda da fronteira o convenceu a escrever seus ensinamentos: até então, eles eram divulgados apenas com a palavra falada. O resultado foi o "Tao Te King".

Muitos anos depois, teve sua ascensão no deserto de Gobi durante a qual emanou raios de luz em cinco cores, transformando-se em corpo de luz dourada e desaparecendo no céu.
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O Imperador Amarelo - O Huang Di

Conhecido como o Imperador Amarelo, Huang Di é um dos “Cinco Imperadores”, lendários reis sábios e moralmente perfeitos que teriam governado a China. Huang Di teria sido o unificador da China e reinado de 2.690 A 2.590 a.C, aproximadamente. Atualmente, sua existência é questionável. O período de seu reinado precede a história escrita na China por mais de 1000 anos.

Durante o seu reinado Huang Di demonstrou especial interesse pela saúde e pela condição humana, questionando os seus ministros-médicos sobre a tradição médica da época. A ele está relacionado o mais importante clássico da medicina tradicional chinesa, o Huang Di Nei Jing, também conhecido como “Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo”.


Huang Di

O mais antigo manuscrito preservado desta obra data de 720 a.C., uma época marcada por grande florescimento cultural. Apesar de se atribuir sua autoria ao Imperador Amarelo, historiógrafos modernos geralmente consideram que seu conteúdo foi compilado por estudantes da época, pois até então, não havia registros históricos de sua passagem, apenas a tradição oral.

O Huang Di Nei Jing é escrito na forma de diálogos, onde o Imperador Amarelo obtém informações de seu Ministro Chi Po a respeito de todas as questões ligadas à saúde; principalmente à arte de curar. O tratado é uma compilação em duas partes:

- O Su Wen (Questões sobre a emergência da vida) expõe toda a doutrina, a fisiologia energética entre os zang fu, a teoria dos meridianos, as fases do diagnóstico e os estágios observáveis nas evoluções das doenças; maior ênfase na filosofia e princípios da medicina chinesa;

- O Ling Shu (Eixo dos espíritos), que trata das condutas terapêuticas, dos preceitos práticos e modos de efetivar os tratamentos; mais focado em técnicas específicas de acupuntura, teoria dos meridianos e a descrição de varias agulhas de acupuntura. Considerado como primeiro registro escrito da Medicina Tradicional Chinesa e a primeira obra acadêmica medicinal da China, O “Huang Di Nei Jing” se apresenta como um dos mais importantes livros da literatura médica chinesa.

Na obra, o cérebro é descrito composto pela medula e é apontada sua ligação com os olhos. Entretanto, considera o coração “monarca de todas as estruturas” e sede da alma.
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O Taoísmo

O Taoísmo também conhecido como Daoísmo é uma filosofia/religião repleta de mistérios com uma metafísica complexa. Sua origem segundo os eruditos perde-se nos tempos, tendo características tanto filosóficas quanto práticas muito parecidas com o Tantra indiano. Pode-se mesmo dizer que são filosofias irmãs que foram adaptadas aos seus seguidores e regiões.

A fundação do Taoísmo é atribuída a dois grandes personagens míticos: O Imperador Amarelo (aproximadamente entre 2.690 a 2.590 a.C) e Lao Tsé, século VI a.C.. É classificado como sistema religioso a partir do século II, na dinastia dos Han posteriores, entretanto já existia como filosofia desde os remotos tempos do Sinismo.

Chuang Tzu e Lie Tse foram os propagadores do Taoísmo depois de Lao Tsé, viveram no século IV a.C..

Ao Sábio Lao Tsé é atribuído o livro Tao Te Ching, a base literária do Taoísmo, sendo depois da bíblia o livro mais traduzido e difundido no mundo.

O Taoísmo possui uma estrutura monástica e sacerdotal.

Opondo-se ao Confucionismo, que insiste nos deveres morais, rituais e leis governamentais, o Taoísmo enfatiza a liberdade individual e espontânea, um governo liberal, a experiência mística e técnicas de autotransformação.


Montanha Qingcheng, lugar sagrado do taoísmo na província de Sichuan

O taoísmo clássico inspirou um movimento intelectual chamado xuanxue - aprendendo com o misterioso - que dominou a elite chinesa e a alta cultura dos séculos III ao VI de nossa era. Influenciando não apenas o pensamento filosófico, mas a literatura, a caligrafia, a pintura, a música chinesas. No século VII, o imperador Xuanzong ordenou que cada soldado tivesse uma cópia do "Tao Te King" em casa e assinalou as passagens que deveriam ser estudadas pelos civis.

A fama de Lao Tsé viajou muito além das fronteiras da China e de seu tempo. O Taoísmo ou Daoísmo espalhou-se pela Ásia. As crenças foram assimiladas como uma tradição de vida, principalmente para as culturas japonesas e coreanas.

Durante os anos 1900, uma tradução em latim do "Tao Te Ching" chegou à Inglaterra e os ensinamentos de Lao Tsé se difundiram no Ocidente moderno.
Estima-se hoje que o Taoísmo, difundindo no mundo todo, possua 50 milhões de adeptos.

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Outras deidades chinesas

Cada profissão, ofício e trabalho, tinha a sua deidade protetora. Entre todos estes deuses, a tradição popular destacava o deus das letras e da literatura, como o mais importante. Era conhecido pelo nome de Went'chang e, segundo a lenda, antes de chegar a obter a distinção de protetor das letras e da literatura já tinha passado por dezessete existências.

O livro que tinha escrito o próprio deus era, por assim dizer, uma espécie de biografia e nele há relatos sobre as dezessete reencarnações. Também encontravam-se as regras a serem seguidas para agir com moralidade e retidão e, geralmente, se louvava o saber e a inteligência sobre quaisquer outros aspectos.

Mediante o saber e a inteligência se pode superar qualquer obstáculo e, ao mesmo tempo, equilibrar qualquer sofrimento. A sabedoria é como uma espécie de "candeeiro da câmara escura", o que significa que até nos momentos mais difíceis da vida, quando vemos tudo negro, quando nos achamos encerrados na "câmara escura" deste mundo dos mortais, sempre existirá a luz do "candeeiro" que proporciona o saber e a inteligência para, assim, tornar possível uma nova procura, uma solução inédita.
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O Sol e a Lua

Tanto o Sol como a Lua eram astros considerados como personificações de certas deidades. E não só os imperadores e a classe poderosa, mas também o povo apoiavam o culto às luminárias; pelo qual a veneração à Lua e ao Sol ficava convertida, ao mesmo tempo, em culto oficial e popular.

Eram ofereciam sacrifícios aos citados astros de acordo com o calendário. Os anos ímpares estavam consagrados ao Sol e os anos pares à Lua.

Ambas as luminárias apareciam também relacionadas com os dois princípios essenciais. O Sol era princípio ativo e, portanto, era associado com o "Yang"; ao passo que a Lua era princípio passivo, pelo qual aparecia sempre relacionada com o "Yin". Concebia-se a eternidade como um círculo que carecia de um princípio e que não tinha fim. O "Yang" e o "Yin" estavam dentro dela, como duas forças que se necessitam mutuamente e, pelo mesmo motivo, em vez de opor-se, se complementam.



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O reino dos mortos

Segundo a tradição popular chinesa, as almas eram conduzidas ao reino dos mortos para serem julgadas. Nesse reino controlando a passagem para seu interior encontramos o "Deus da Porta".
Se tudo estivesse em regra, a alma podia passar e toparia imediatamente com o deus de "Muros e Fossas", que era o encarregado de submetê-la ao primeiro, e mais benigno, dos julgamentos. No entanto, os interrogatórios duravam quarenta e nove dias, um número pleno de conotações simbólicas entre muitos povos do extremo oriente:

"Este é o prazo de que necessita a alma de um morto para alcançar definitivamente a sua nova morada. É a terminação da viagem, durante os quais a alma permanecia retida nos domínios do deus de Muros e Fossas.”

Este deus pode condená-la ou entregá-la ao próximo juiz, passando então à presença do Rei “Yama", que se encarregará de decidir, após um novo interrogatório, se aquela é uma alma justa ou não. Se for o primeiro, a alma será enviada para um dos paraísos chineses - o que se encontra na "Grande montanha" ou "Terra da Extrema Felicidade de Ocidente", onde gozará de liberdade e felicidade eterna.

(Yama)

Se, pelo contrário, o "Rei Yama" sentenciou que se trata de uma alma pecadora então esta será lançada aos abismos infernais. Depois de sofrer dores e castigos sem fim, a alma chegará ao décimo lugar de perdição. Uma vez aqui será obrigada a reencarnar-se e poderá escolher entre um animal ou um humano.

Ao reencarnar em um animal, não perderá o seu antigo sentir humano e, por esse motivo, sofrerá quando a maltratem ou quando a matem. A alma reencarnada, antes de sair do décimo Inferno e dirigir-se para o lugar onde se encontra a "Roda das Migrações" ou “Roda da Vida”, deve beber o "Caldo do Esquecimento" para que guarde segredo de tudo que viveu anteriormente, tanto nas vidas passadas como nos domínios infernais.

Esta beberagem era preparada pela deusa que habitava a misteriosa casa edificada na saída do Inferno. Todas as almas que abandonassem aquele lugar tinham que beber o "Caldo do Esquecimento", pois só então lhes seria permitido continuar e consolidar a sua reencarnação.

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O Senhor do Céu

Segundo a mitologia chinesa há uma deidade superior, criadora do mundo e de tudo que existe, rei dos mortais e dos outros deuses. Recebe o nome genérico de "Venerável Celeste da Origem Primeira" que delegou todo o seu poder a um dos seus discípulos, o segundo dos três deuses - denominados os "Três Puros" - que compõem a trindade chinesa. O nome deste deus, que realiza a pesada tarefa que lhe encomendou o seu mestre, é "Senhor do céu". E chegará um dia em que também ele deixará que o seu sucessor leve a cabo o trabalho de ordenar e governar o universo inteiro. É um deus que se evoca pelo nome de "Venerável Celeste da Aurora".

Para levar a cabo a sua tarefa o Senhor do Céu conta com a ajuda de outras deidades afins. Deuses e deusas que realizavam muitas funções diferentes, desde afastar os maus espíritos até a predição de bons ou maus casamentos.

Todos os desejos e necessidades dos humanos ficavam satisfeitos assim que estes invocavam o deus apropriado. Por tudo isso, o número de deuses familiares era considerável. Mas não só cada casa, como também os bairros, as cidades e territórios contavam com os seus deuses protetores. As próprias deidades se ocupavam de que tudo funcionasse perfeitamente; e assim os deuses do lugar guardavam a terra, a rua, a casa e todos os seus moradores.
Em todos os lares havia uma imagem do "Deus do lar" que, geralmente, aparecia sob a figura de um ancião com barba branca. Junto ao ancião estava sua esposa, rodeada de animais domésticos, tais como porcos, galinhas, cães, cavalos, etc., simbolizando a fertilidade e o alimento.
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Mitologia da China

Quanto à mitologia da China talvez seja uma cópia da própria organização hierarquizada de sua sociedade, pois assim como havia um governante máximo à frente de cada dinastia, também devia adorar-se um deus supremo, o qual recebia, ao mesmo tempo, obediência e reverência por parte das outras deidades.

Alguns dos seus chefes religiosos foram considerados, entre a população chinesa, como seres imortais ou encarnações da denominada "Origem Primeira", deidade que fazia parte de uma trindade de deuses com poderes para vencer o mal e os seus representantes. No entanto, o panteão chinês conta com uma grande variedade de deuses.

Os chineses também adoravam os fenômenos da natureza e as suas forças; consultavam os oráculos e participavam de um ritualismo rico em sacrifícios e esoterismo mágico. Muito especialmente, se pretendia uma longevidade perene - o mito da eterna juventude - que, mais tarde, aparecerá em todas as outras culturas e civilizações, especialmente na mitologia greco-latina.

O povo chinês tinha um deus especialmente dedicado a procurar juventude e viçosidade a todos os que o rogassem e, por isso, lhe ofereceram contínuos sacrifícios e preces. Esta deidade chamava-se Cheu-Sing e era a encarregada de guardar a vida dos humanos, pois, entre outras coisas, tinha poder para fixar o dia em que tinha de morrer uma determinada pessoa. Segundo a crença popular, se podia mudar a vontade deste deus oferecendo-lhe sacrifícios e participando dos diversos rituais em sua honra. Para tanto, bastava que Cheu-Sing prolongasse a data que tinha marcado de antemão e ampliasse o tempo de vida daqueles mortais que mais fidelidade tivessem demonstrado.

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Crenças e práticas do confucionismo II

Culto aos antepassados

Para os chineses o homem é composto de duas almas em cada ser humano. A alma material e uma alma espiritual. Os textos quanto ao destino dessas almas são contraditórios. Alguns afirmam que a alma material é o princípio da vida embrionária e que na morte fica junto ao seu corpo físico, outros falam que viviam em um mundo subterrâneo próprio aos mortos. Quanto a alma espiritual, essa só apareceria depois do nascimento e depois da morte permaneceria no templo dos antepassados enquanto outros textos afirmam que estariam junto ao Governante do Céu.

Acredita-se que o morto pode influenciar a vida das pessoas vivas. Essa influência é proporcional ao poder e destaque que o morto possuía em vida, sendo responsabilidade dos familiares vivos garantirem aos mortos uma vida pós-morte igual a que tinham enquanto vivo. Para tanto, objetos pessoais, vasos com alimentos e flores acompanhavam o cadáver junto a sepultura.
Os familiares devem honrar a memória dos seus antepassados, cultuando-os através da oferta de alimentos, bebidas e animais. Alguns historiadores chegam a mencionar sacrifícios humanos, tanto de servos e escravos que seriam enterrados junto ao morto, quanto a prisioneiros de guerra oferecidos nos rituais de culto aos mortos.

Confúcio em seus ensinamentos, no entanto, nada falava sobre a vida pós-morte alegando que se o homem não conhecia a vida, como poderia ele conhecer a morte. Mencionava em seus ensinamentos o culto e honra aos antepassados segundo os rituais sínicos, e apenas isso.
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Crenças e práticas do confucionismo


Culto ao Supremo Governador

Esse culto era conduzido pelos imperadores e por aqueles que ocupavam os mais altos postos chineses. O poder de governar o pais era dado pelo Céu, o Supremo Governador, e a ele deviam render culto.


Os cultos eram realizados no Templo do Céu na cidade de Pequim, no solstício de inverno (hemisfério norte – 22 de dezembro), onde ofereciam novilhos, vinho e alimento, como cereais e pãos. Os cultos eram acompanhados de procissões, música e luzes. Esse tempo possui o maior altar da história da humanidade.



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(Templo do Céu - Pequim)

Ao norte de Pequim, no parque Ditan existe o Templo da Terra, onde são feitas entregas de flores e alimentos no equinócio de primavera (hemisfério norte - 21 de março), porém com menor importância que o Templo do Céu



(altar do Templo da Terra)

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Filosofia de Confúcio

Confúcio considerava a natureza humana originalmente boa, porém essa disposição natural pode ser corrompida pelas paixões que o homem desenvolver durante sua vida. Para que isso não aconteça é necessário o completo domínio sobre si mesmo, sendo esse o meio essencial para o aperfeiçoamento pessoal.

Levando em consideração os dons naturais de cada um, Confúcio dividia o homem em quatro classes: os homens superiores – aqueles em que o conhecimento dos princípios da sabedoria é inato; aqueles que adquirem esse conhecimento através do estudo; os que possuem pouca inteligência, mas que procuram adquirir o conhecimento e aqueles que não possuem nenhuma inteligência nem o desejo de aprender.
O homem perfeito respeita três coisas: a vontade do céu (princípio de ordem natural); os homens eminentes em virtudes e em dignidade, as máximas dos sábios. O homem vulgar não conhece a lei natural e não a respeita, trata sem respeito os homens eminentes, zomba das máximas dos sabios.
O homem é naturalmente sociável e tem o dever de viver em sociedade, esforçando-se para levá-la a ordem. A harmonia dessa vida social é obtida através do “justo meio”. Atingir esse ideal requer muita perseverança e vigilância, sendo poucos os que conseguem manter-se nesse caminho.
A piedade filial e o respeito aos antepassados são consideradas a fonte de todas as virtudes, dela procede toda a disciplina e toda a instrução:

“Durante a vida de seus pais, o filho deve cumprir os deveres que lhe são devidos, segundo os princípios da razão. Quando morrem, devem enterrá-los segundo as cerimônias prescritas pelos ritos e fazer-lhes em seguida as oferendas igualmente conforme os ritos".[1]

Através da comparação com a piedade filial devem ser concebidos todos os outros deveres, como o dever do caçula com os irmãos mais velhos, a esposa para com o marido, do súdito para com o soberano.
Sobre o Estado Confúcio afirma que o governo é aquilo que é justo, governar é retificar o povo, sendo o governante ideal aquele que cumpre bem os seus deveres e conduz os homens à prática da virtude e à perfeição do espírito de tal maneira que haja uma harmonia perfeita. Se o súdito deve se comparar a um filho o soberano deve ser o pai, assegurando a seu povo a paz, o bem estar e a instrução.
Em suas máximas afirmava que é necessário fazer bem pelo bem e a justiça pela justiça, não fazendo ao outro o que não quer para si mesmo.
É necessário que o homem domine a si mesmo, e controle suas paixões, excluindo de sua vida toda e qualquer preocupação egoísta e mesquinha, como a vaidade e os interesses materiais. É preciso ganhar dinheiro para se viver, mas não viver para ganhar dinheiro.
É necessário que o homem honrado ame seus semelhantes, devendo ser benevolente com todos igualmente, ou seja, uma benevolência universal. O humanismo.
Dois de seus discípulos destacam-se como continuadores do confucionismo:

Mencius (Meng-Tse) viveu em 372 a 289 a.C., um homem de grande espírito político que se empenhou em defender a doutrina de seu mestre contra os filósofos contemporâneos. Acreditava que a manutenção da paz era responsabilidade do soberano e garantir o futuro das crianças fornecendo a elas condições e meios seguros de existência.

Sun-Tse, que viveu entre 330 e 2365 a.C, reivindicou para a Escola de Ju (escola de Confúcio) o título de única possuidora da verdade e única capaz de dar remédio aos males da sociedade.
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[1] Granet, Marcel. A civilização chinesa. 1952.

Confucionismo


O confucionismo em sua origem não é uma religião e sim uma doutrina filosófica que visa restabelecer a ordem social e resgatar os valores sínicos. Portanto, a primeira característica dessa doutrina é o tradicionalismo de seus ensinamentos, onde estabelece as normais morais reguladoras do procedimento do indivíduo e de suas relações pessoais e públicas.

O próprio filósofo acentuou seu apego ao passado quando disse:

“Transmito os ensinamentos antigos, nada invento de novo, apego-me à antiguidade com confiança e afeição”.[1]

É uma filosofia positivista. Os preceitos e advertências de Confúcio são fontes preciosas em que se renovam as antigas virtudes da alma chinesa. Cortesia, piedade filial e virtudes como a benevolência, retidão, lealdade e a integridade de caráter são as bases do confucionismo que permaneceu como religião oficial da China desde sua unificação, na dinastia dos Han, até a sua proclamação como República em 1911.

Confúcio compilou, editou e escreveu diversas obras. Sua biografia pode ser encontrada em três livros clássicos, sendo as três últimas elaboradas por seus discípulos:

- Chun-Chiu (Anais das Primaveras e Outonos) – história da China, principalmente sobre o ducado de Lu, sua terra natal;
- Lun Yu (Anacletos) – Coleção de máximas de Confúcio e seus princípios éticos;
- Ta Hsio (grande aprendizado) – ensinamentos sobre a virtude;
- Chung Tung (Doutrina do meio) – ensinamentos sobre a moderação perfeita;
- Meng Tze (Mêncio) – Obra do grande expositor e discípulo de Confúcio.
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[1] Franca, S. J., Leonel. Noções da História da Filosofia. 13ª Edição. Revista Agir, Rio de Janeiro 1952.

Confúcio


Confúcio ou K’ung Ch’u (Mestre Kong) nasceu nos meados do século VI a.C. (551 a 479), em uma pequena cidade no ducado de Lu, atual Chantong. É o filho mais novo de 12 irmãos, ficando órfão aos três anos de idade. Seu pai foi um magistrado e um guerreiro de certo destaque.
Filósofo e dedicado ao ensino, viveu na época das guerras feudais, onde o valor de soldado era medido pelo número de cabeças inimigas que carregava consigo. Populações inteiras foram dizimadas através da decapitação de mulheres, crianças e velhos.

Aos 30 anos deixa o ducado de Lu e parte com o Duque Chao para a província de Ch’i. Aos 50 anos ocupa cargos políticos, sendo nomeado o Grande Oficial da Justiça. Aos 55 anos parte para uma longa viagem aos estados vizinhos, onde pretende colocar suas idéias de unificação e a visão do estado como bem público. Apesar de ser recebido como um Erudito, não obteve sucesso em sua jornada.

Regressa aos 68 anos e continua dedicando-se ao ensino de um grupo de discípulos, chegando a ter em sua escola 3000 alunos. Desse grande grupo 72 eram considerados seus discípulos mais eruditos. A meta era transformá-los em Jens, seres humanos perfeitos.

Após sua morte seus discípulos o lamentaram por três anos, sendo que um deles permaneceu junto à sua sepultura por seis anos.

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O Sinismo

O início do Sinismo perde-se no tempo. Os livros que contém seus registros, Kings, são anteriores ao século VI a.C..

Admitem uma quantidade enorme de espíritos da natureza, como espíritos da água, das montanhas, da terra, do ar e de espíritos humanos, os antepassados.

Os ritos dirigiam-se a todos os espíritos, sendo o culto aos antepassados o mais importante.

As primeiras e antigas sociedades eram matriarcais, sendo que as parteiras e as tecelãs possuíam grande representatividade social. A união de uma mulher com um homem somente poderia acontecer no chão, em contato com o solo, para que a Mãe Terra exercesse sua função fecundadora. Apenas os ancestrais femininos reencarnavam.

Com o tempo os ferreiros adquiriram maior importância social e os homens sobrepujam as mulheres modificando o sistema de matriarcal para patriarcal.



A veneração a Mãe Terra (feminino) foi sendo substituída em importância ao Céu (masculino). Os soberanos intitulavam-se “filhos do Céu”.

Possuiam seus lugares santos, onde celebravam as “festas da juventude”. O Soberano realizava seus rituais no “Templo do Céu”.

Não havia um deus pessoal, mas espíritos e o Céu, que interagiam com os vivos, recompensando o bem e punindo o mal através de fenômenos naturais.

As leis da natureza misturavam-se as leis morais e sociais.

A concepção filosófica mais profunda do Sinismo é o Tao.

O Tao pode ser interpretado como o “princípio da ordem natural”. Tudo está sujeito a um crescimento e comportamento natural, ao alterarmos a natureza de qualquer coisa, estamos gerando sofrimento e dor, pois rompemos com o modo natural de evolução.
No Tao existem duas divisões: o Yang, princípio masculino e o Yin, princípio feminino. Essa divisão ou distinção aplica-se a tudo que é vivo, portanto, tanto aos homens quanto a natureza. A ordem universal está assegurada pela união desses dois princípios.

“Quando Yang e Yin misturam seus licores, produzem-se, então, os dez mil seres”

O Sinismo foi a base da sociedade primitiva da China. Ditava as regras e os fazeres do povo. Com as disputas territoriais e a conseqüente divisão da China em diversas províncias a filosofia sínica passou para segundo plano.
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O Império Chinês

A unificação chinesa acontece no século III a.C., através do exército do reino Ts’in situado no vale do rio Wei, na região de Chen-si. O exército de Ts’in caracterizava-se pela excelência de seu armamento; uma cavalaria de grande mobilidade, uma infantaria ligeira e uma artilharia que compreendia máquinas para sítio, torres móveis e catapultas. Seus soldados recebiam créditos e honrarias mediante o número de cabeças inimigas que carregavam consigo.

Ts’in, o fundador do Império Chinês passou a se chamar Che Huang-ti que significa o primeiro augusto senhor. Unificou a escrita, os pesos e medidas, mas a grande obra de seu Império foi a construção da monumental muralha chinesa ligando as antigas fortificações outrora construída por diversos príncipes com a finalidade de repelir os ataques dos Hunos. Ts’in morreu em 210 a.C. e seu sucessor foi incapaz de continuar sua obra. A dinastia dos Ts’in entra em declínio e o Império mergulha numa era de anarquia em que o poder passa a ser disputado pelos chefes militares.




Em 202 a.C. Lieu Pang, um camponês que foi soldado, chefe de bando e senhor feudal, conquistou o Império após uma luta com seu rival Hiang Yu, tornando-se Imperador da China e fundador da dinastia Han que durou quatro séculos, 202 a.C. a 220 d.C.. A dinastia Han é dividida em dois estágios, os Han que reinaram até o ano 6 de nossa era são conhecidos como Han Ocidentais ou Anteriores, os que reinaram até 220 de nossa era são chamados Han Orientais ou Posteriores.


O Taoísmo (que falaremos posteriormente) e alguns de seus seguidores, militantes preocupados com as causas sociais e políticas era conhecidos como “àqueles dos turbantes amarelos”. Na dinastia dos Han Posteriores incitaram uma rebelião que foi reprimida com extrema violência e crueldade. A essa rebelião juntaram-se as intrigas da corte e a ameaça de invasão dos hunos.
Um dos generais, Ts’ao Ts’ao intitula-se “protetor do império” e em 220 d.C., após sua morte, seu filho Ts’ao P’ei depôs o Imperador, usurpando o trono e fundando a dinastia dos Wei.
A China desintegra-se e surgem três reinos. Ao sudoeste, o reino de Chu, sobre o cedro do Imperador derrotado Lieu P’ei; ao sudeste o reino de Wu, fundado pelo general Suen K’iuan e ao norte o reino de Wei.


O reino de Wei caiu sob o domínio de uma família de mordomos, os Sseu-ma. Ssseu-ma Tchao em 265 de nossa era anexa o reino de Chu aos seus domínios e em 280 seu filho Ssseu-ma Yen consegue anexar o reino de Wu, fundando a dinastia de Tsin e re-unificando o Império Chinês.
Inúmeras guerras e invasões aconteceram, os hunos invadiram as províncias continentais deslocando o eixo da Civilização chinesa para o sul, para as províncias marítimas do Império.

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China

Uma parte da história

O homem habita a China desde épocas pré-históricas, no paleolítico e no neolítico, segundo dados arqueológicos.

Muitos historiadores e arqueólogos afirmam existir na China uma “continuidade cultural”, mas não podem afirmar com exatidão se há uma “continuidade racial”, pois na formação do povo chinês houve múltiplas misturas o que explica a existência de diferentes tipos físicos. A maioria dos chineses é considerada como centromongol ou os verdadeiros chineses (agricultores das terras amarelas), porém quando nos dirigimos ao sul da China vamos encontrar diferenças raciais e então são denominados sul-mongóis.

O início da história da China apresenta vários soberanos lendários aos quais são atribuídas determinadas atividades, desde a fabricação de charruas e ensino da agricultura à fabricação de armas. Estes soberanos são sábios ponderados que desempenham a missão de por ordem nas coisas e nos homens.

No decorrer da história, a China foi marcada por diferentes dinastias.

No período feudal que data do século VII a III a.C., o poder real decaí e aparecem vários principados. Inúmeras guerras são travadas entre as dinastias provinciais surgindo uma sociedade feudal cavalheiresca.

Os séculos V, IV e III a.C., são apresentados como um período de anarquia e de grande crise moral. A ordem da sociedade deixa de ser fundamentada sobre as tradições e regras protocolares, prevalecendo o desejo de poder pelo poder.

É nessa crise de valores e caos que surgem os grandes pensadores, políticos e sábios da história da China. Primam pelo restabelecimento da ordem social e de honra as tradições.


“Ora, foi precisamente nessa época trágica que os sábios, os políticos, os filósofos e os pensadores se ergueram, numerosos, esforçando-se por ministrar ao Império os remédios que julgavam eficazes. A solicitude, o labor e o gênio de alguns deles ocasionaram uma floração sem igual no pensamento chinês. Foi a época clássica de nossa filosofia. E seu Mestre foi Confúcio, patriarca dos letrados, fundador da primeira e mais notável de nossas Escolas. Pois todas as Escolas do seu tempo, e as posteriores, foram direta ou indiretamente herdeiras da doutrina e exemplo do Grande Mestre, Pai da filosofia chinesa”[1]


A religião/filosofia da China divide-se em:
- O Sinismo
- O Confucionismo
- O Taoísmo
- O Budismo Chinês



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[1] Besselaar, José Van den. Instrodução aos estudos históricos. Revista da História, nº 20, Ano V – S. Paulo, 1954.

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