Filosofia Jainista


É uma filosofia de profundo pessimismo.
A Roda de Sansara (renascimento) é interminável, cheia de sofrimentos que não conduzem as criaturas vivas (jiva) a nenhum lugar, não servindo dessa maneira à transcendência. Mesmo os deuses estão sujeitos a Roda de Sansara.

Portanto, céus e infernos, alegrias e sofrimentos são apenas etapas de Maia (ilusão). Não há maneira de se sair da "roda perene" a não ser que o homem seja o construtor de sua própria libertação.

Isso só é possível mediante um esforço heróico, uma terrível e longa prova de austeridades e de progressiva auto-abnegação.


As qualidades da matéria

Segundo a cosmologia jaina, o universo é um organismo vivo animado em todas as suas partes por mônadas vitais que circulam através de seus membros e esferas. Esse organismo nunca morrerá assim como nós que possuímos nossas mônadas e estamos inseridos dentro desse contexto maior. Ascendemos e descendemos, ora como humanos, ora como divinos, ora como animais, os corpos parecem nascer e morrer, mas a cadeia é contínua, as transformações intermitentes e tudo que fazemos é alternar os estados. O modo como essas mônadas circulam por esse organismo cabe somente ao santo e ao vidente jaina conhecer através da iluminação.

Em contraste com as concepções de que a mônada (atmã para o Bramanismo) é do tamanho de um átomo e reside no coração, o jainismos considera que a mônada vital (jiva) se difunde por todo o organismo, o corpo constitui, por assim dizer, sua veste.
A substância sutil dessa mônada está misturada com as partículas de Karma, como a água no leite, ou como o fogo em uma bola de ferro incandescente. Além disso, a matéria cármica transmite à mônada vital seis tipos de cores (lesyã). Por isso dizem que existem seis tipos de mônada vital em série ascendente, cada qual com sua cor, odor, gosto e qualidade de tangibilidade.

- Branca (sukla)
- Amarela ou rosa (padma, como um lótus)
- Vermelhor fogo (tejas)
- Cinza chumbo (kapota)
- Azul escuro (nila)
- Preto (krsna)


Esses seis tipos se distribuem em três pares e cada par correspondem precisamente a um dos três gunas, ou qualidades naturais.

- Preto e azul escuro são “tamas” (escuridão ou inércia)
- Vermelho e cinza chumbo são “rajas” (fogo ou ação)
- Branco e amarelo ou rosa são “Sattvas” (luminosidade ou excelência)

O negro é a cor característica das pessoas impiedosas, crueis e brutas, que ofendem e torturam outros seres. O azul escuro caracteriza as pessoas libertinas e corruptas, ambiciosas, sensuais e volúveis. O cinza-chumbo é típico dos temerários, imprudentes e incontrolados ao passo que o vermelho fogo é a cor dos prudentes, honestos, magnânimos e devotos. O amarelo denota a compaixão, consideração, ausência de egoísmo, não-violência e auto-controle enquanto que as almas brancas são desapaixonadas, absolutamente desinteressadas e imparciais.

Assim como a água flui para um reservatório através de canais, igualmente a matéria cármica das seis cores flui para a mônada através dos órgãos físicos. Atos pecaminosos provocam um “influxo de mau Karma” e isso aumenta a matéria negra da mônada, por outro lado, atos virtuosos causam um “influxo de karma bom ou sagrado” que torna a mônada mais branca. Todavia, mesmo esse karma positivo mantém a mônada vital atada ao mundo físico. Ao se aumentar a matéria cármica branca e amarela, os atos virtuosos produzem laços mais suaves e leves porém, ainda são laços e não bastam para consumar a libertação.
Para se alcançar a transcendência e o reino dos Tirthankaras todo o tipo de influxos deve ser anulado, e este estacionar pode efetuar-se unicamente pela abstenção de ação, seja ela boa ou má.
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Um comentário:

SuSu Oliveira disse...

Que interessante a maneira de ver as energias dos Jainista! Só não consigo concordar com a mortificação do corpo físico e da ação. Isso é muito complicado e controverso. bjs