Filosofia Budista



“Não acredites numa coisa simplesmente por ouvir dizer; não acredites sob a fé das tradições, pois elas são veneradas há numerosas gerações... não acredites em nada através unicamente da autoridade de teus mestres ou sacerdotes. Crê no que tu mesmo experimentares, provares e reconheceres como verdadeiro, que esteja de acordo com o teu bem e o dos outros e conforma tua conduta a isso.”

O budismo afirma que a raiz da enfermidade cósmica é um estado mental involuntário comum a todas as criaturas. O desejo originado na ignorância é todo o problema ainda que seja uma função natural do processo vital, não é impossível de ser erradicado.

Não nos apercebemos que vivemos em um mundo de meras convenções e que estas determinam nossos pensamentos, sentimentos e atos. Imaginamos que nossas idéias sobre as coisas representam a realidade última e nos aferramos a elas criando uma rede na qual nos aprisionamos. São criações da mente que geram padrões convencionais e involuntários de ver as coisas, de julgar e de agir. Nossa ignorância as aceita sem questionamento, considerando-as como fatos da existência e isso é a causa de todos os sofrimentos que constituem nossas vidas.

Desejos e expectativas inconscientes convertidos em decisões e atitudes subjetivamente estabelecidas transcendem os limites do presente, precipitam nosso futuro e estão determinadas por um passado herdado pelo Karma (relações incompletas) em sucessões de renascimentos e mortes.

A dor causada pela ignorância pode ser curada através do “caminho do meio”, evitando-se todas as formas de extremos.

Esse “caminho do meio” declara que a validade de uma concepção é sempre relativa à posição que ocupa uma pessoa no caminho do progresso que conduz da ignorância ao conhecimento búdico. Atitudes de afirmação e de negação pertencem a seres mundanos que estão vulneráveis à própria ignorância de si mesmas.

O Budismo não dá importância alguma a um conhecimento tal que torne o homem ainda mais enredado em sua vaidade. São considerados como muletas, tanto materiais como espirituais, que preservam a personalidade e posições egóicas.

O mérito de um fato ou idéia varia de acordo com o grau de discernimento do observador, ou pelo tamanho da consciência que possua de si e do universo circundante.

A doutrina de Buda chama-se “Yãna” que significa “veículo” ou “barca”. O indivíduo é transportado pela iluminação (bodhi).

Entrar no veículo budista (barca da disciplina) significa começar a cruzar o rio da vida, desde a margem da experiência cotidiana da ignorância espiritual, do desejo e da morte até a margem da sabedoria transcendental que é a libertação do Sansara, o Nirvana.
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Um comentário:

SuSu Oliveira disse...

Perfeitamente colocado. Poderia ainda dizer que a filosofia budisma é a mãe da psicologia, já que aborda as questões como meros pontos de vista e está certo. Cada pessoa vê e sente o mundo a partir de uma janela particular, a partir de realidades que foram criadas ao longo do tempo.