Filosofia Brâmane


“No começo havia apenas o Brahman; foi ele que criou os deuses... Na verdade, o imortal Brahman está em todos os lugares, à frente, atrás, à direta, à esquerda, no zênite, no nadir... Ele é Aquele em que são urdidos o céu, a terra, a atmosfera, o espírito também e todos os sentidos...Espumas, vagas, todos os aspectos, todas as aparências do mar não diferem do mar. Nenhuma diferença, outrossim entre o universo e o Brahman... Na verdade, tudo é Brahman.”[1]


Brahman está em tudo, é a essência e causa de tudo que vemos e não vemos. Está nas formas, nos nomes, em tudo que podemos sentir e perceber através de nossos sentidos, assim como lhe é causa de manifestação é a essência em si.

Para o Bramanismo não existem dualidades. Toda e qualquer manifestação são apenas partes, fragmentos de um todo e tudo está interligado e permeado por Brahman.


Assim como o universo, múltiplo na aparência, mas uno em causa, meio e fim, o homem também o é. O princípio da unidade no homem, seu sopro vital é chamado de Atman.


“O Atman, o Eu – aquele fio que mantém unidos este mundo, a outro e todas as coisas – é o reitor interno, desde o início dos tempo... o Eu habita todos os seres; está dentro de todos os seres; os seres no entanto, não o conhecem; todos os seres são o seu corpo, ele os controla desde dentro. Ele não é visto, mas vê; não é ouvido; mas ouve, não é pensado, mas é o pensador. Ele é desconhecido e, contudo, é o conhecedor. Ninguém vê, exceto ele. Ele é o Eu, o governante interior, o Imortal”.[2]


Brahman é o absoluto objetivo e Atman o absoluto subjetivo, constituindo o absoluto verdadeiro o atman-brahman.

Como alcançar a libertação?

Nossas vidas, as formas de nossos diversos corpos, nas sucessivas reencarnações, pertencem ao que chamam de mundo de Maya, ou mundo da ilusão, pois tomamos como realidade um fragmento sem lhe ver as causas, nossa realidade física é apenas a manifestação de algo maior, que o compõe e o contém. Para que possamos nos libertar do sansara é preciso retirar os véus de Maya (ilusão) e contemplar nossa verdadeira essência, o atman. Para tanto, precisamos nos liberar de qualquer outro desejo que não seja o atman, porque atman existem além do desejo e de todo sofrimento. Esse caminho só pode ser trilhado por um ato de vontade, de disciplina e de desapego as coisas mundanas. Ainda que Brahman também exista e seja a causa do mundo de Maya, este é apenas um fragmento e um meio de encontrarmos nossa verdadeira essência. Então buscar o desapego dos desejos e necessidades materiais, entender que são apenas aspectos menores, que a verdadeira vida e imortalidade estão em atman passa a ser o caminho. Atman é o habitante interno do homem, seu sopro vital, causa, meio e fim de suas existências. É Aquele a quem se deve contemplar.

“É atman realmente que é preciso contemplar, que é preciso ouvir, que é preciso compreender, que é preciso meditar; pois verdadeiramente aquele que ouviu, que contemplou, que meditou o atman, conhece esse universo inteiro, o que está no fundo do homem e o que existe no sol são uma única e mesma coisa.”[3]



Na busca desse encontro surgem às diversas escolas com práticas religiosas e ascéticas que visam acelerar o momento da identificação com atman e da libertação do sansara.

“Quando o Brâmane ou seu discípulo, após haver cumprido seus deveres familiares, pode transmitir ao filho a direção e os bens da comunidade, retira-se, tal um eremita, para o fundo da floresta, a fim de, no seu silêncio, entregar-se a meditação religiosa, ou então torna-se um monge-esmoler... Assim começa o monaquismo hindu...”[4]

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[1] Extrato do Brâmana
[2] Extrato do Upanixadas
[3] Extrato Upanixadas
[4] Challaye – Pequena história das grandes religiões. Pág. 59.

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