Templo Jainista


(templo Jainista construído em mármore)

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Filosofia Jainista


É uma filosofia de profundo pessimismo.
A Roda de Sansara (renascimento) é interminável, cheia de sofrimentos que não conduzem as criaturas vivas (jiva) a nenhum lugar, não servindo dessa maneira à transcendência. Mesmo os deuses estão sujeitos a Roda de Sansara.

Portanto, céus e infernos, alegrias e sofrimentos são apenas etapas de Maia (ilusão). Não há maneira de se sair da "roda perene" a não ser que o homem seja o construtor de sua própria libertação.

Isso só é possível mediante um esforço heróico, uma terrível e longa prova de austeridades e de progressiva auto-abnegação.


As qualidades da matéria

Segundo a cosmologia jaina, o universo é um organismo vivo animado em todas as suas partes por mônadas vitais que circulam através de seus membros e esferas. Esse organismo nunca morrerá assim como nós que possuímos nossas mônadas e estamos inseridos dentro desse contexto maior. Ascendemos e descendemos, ora como humanos, ora como divinos, ora como animais, os corpos parecem nascer e morrer, mas a cadeia é contínua, as transformações intermitentes e tudo que fazemos é alternar os estados. O modo como essas mônadas circulam por esse organismo cabe somente ao santo e ao vidente jaina conhecer através da iluminação.

Em contraste com as concepções de que a mônada (atmã para o Bramanismo) é do tamanho de um átomo e reside no coração, o jainismos considera que a mônada vital (jiva) se difunde por todo o organismo, o corpo constitui, por assim dizer, sua veste.
A substância sutil dessa mônada está misturada com as partículas de Karma, como a água no leite, ou como o fogo em uma bola de ferro incandescente. Além disso, a matéria cármica transmite à mônada vital seis tipos de cores (lesyã). Por isso dizem que existem seis tipos de mônada vital em série ascendente, cada qual com sua cor, odor, gosto e qualidade de tangibilidade.

- Branca (sukla)
- Amarela ou rosa (padma, como um lótus)
- Vermelhor fogo (tejas)
- Cinza chumbo (kapota)
- Azul escuro (nila)
- Preto (krsna)


Esses seis tipos se distribuem em três pares e cada par correspondem precisamente a um dos três gunas, ou qualidades naturais.

- Preto e azul escuro são “tamas” (escuridão ou inércia)
- Vermelho e cinza chumbo são “rajas” (fogo ou ação)
- Branco e amarelo ou rosa são “Sattvas” (luminosidade ou excelência)

O negro é a cor característica das pessoas impiedosas, crueis e brutas, que ofendem e torturam outros seres. O azul escuro caracteriza as pessoas libertinas e corruptas, ambiciosas, sensuais e volúveis. O cinza-chumbo é típico dos temerários, imprudentes e incontrolados ao passo que o vermelho fogo é a cor dos prudentes, honestos, magnânimos e devotos. O amarelo denota a compaixão, consideração, ausência de egoísmo, não-violência e auto-controle enquanto que as almas brancas são desapaixonadas, absolutamente desinteressadas e imparciais.

Assim como a água flui para um reservatório através de canais, igualmente a matéria cármica das seis cores flui para a mônada através dos órgãos físicos. Atos pecaminosos provocam um “influxo de mau Karma” e isso aumenta a matéria negra da mônada, por outro lado, atos virtuosos causam um “influxo de karma bom ou sagrado” que torna a mônada mais branca. Todavia, mesmo esse karma positivo mantém a mônada vital atada ao mundo físico. Ao se aumentar a matéria cármica branca e amarela, os atos virtuosos produzem laços mais suaves e leves porém, ainda são laços e não bastam para consumar a libertação.
Para se alcançar a transcendência e o reino dos Tirthankaras todo o tipo de influxos deve ser anulado, e este estacionar pode efetuar-se unicamente pela abstenção de ação, seja ela boa ou má.
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Os Tirthankaras


Tirthankaras significa “autores da travessia do rio”, habitam uma região celeste além do alcance das orações e além dos divinos regentes da ordem natural.

Os Tirthankaras representam o objetivo de cada ser vivo, foram isolados (kevala) das províncias do Trimuti, ou seja, da criação, conservação e destruição do mundo. Os “autores da travessia do rio” estão além do acontecer cósmico, são transcendentes, oniscientes, desprovidos de ação e estão em absoluta paz.

As práticas jainistas devem levar o discípulo para além das preces humanas, para além das divindades que respondem por elas e além dos diferentes céus onde habitam os vários deuses até que possam chegar à transcendência pelo caminho criado pelos Tirthankaras.

Para alcançar a transcendência os jainistas pregam um rigoroso ascetismo. Proclamam o valor do jejum e em sua origem ordenavam a nudez, sendo permitido posteriormente “aos fracos” o uso de vestimentas brancas. Esse fato chegou a gerar um cisma entre os nus e os vestidos ou “os trajados de brancos e os trajados de vento”.

O Jainismo leva o ascetismo às últimas conseqüências, sendo normal aos ascetas jainistas morrer de fome. É considerada por muitos a religião do suicídio e seus seguidores são na grande maioria monges esmoles.

Os Tirthankaras representam a vitória do princípio transcendente sobre as forças da carne. Pãrsva, Mahãvira e os demais 22 Tirthankaras libertaram-se das esferas dos medos e dos desejos humanos, passando para um reino onde as condições e vicissitudes do tempo não existem.

São representados erguidos na posição de desprenderem-se do corpo ou em posição de lótus, própria do iogue concentrado.




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O Jainismo

O Jainismo surge no século VI a.C. e é considerado uma das heresias do hinduísmo ortodoxo juntamente com o Budismo.

Esses dois grupos religiosos apresentam diversos pontos em comum:

1. Rompem com o sistema de castas (seus seguidores são pessoas livres para exercerem suas crenças);
2. Repudiam veementemente o culto ritualístico;
3. As divindades hinduístas não possuem nenhuma importância;
4. Admitem a transmigração das almas, e uma de suas regras mais conhecidas é não fazer mal (ou cometer violências) a qualquer ser vivo.


A fundação do Jainismo é atribuída por historiadores ocidentais à Vardhamãna Mahãvira, contemporâneo de Buda (Sidartha) e pertencente à mesma casta dos Kshátriyas (nobres e guerreiros), nasceu por volta de 526 a.C..

Porém, para os jainístas o Mahãvira não foi o primeiro, mas o último de vinte e quatro Tirthankaras. As mais antigas linhagens dos Tirthankaras datam de tempos pré-históricos.

Existem vários relatos mitológicos sobre a existência dos Tirthankaras em especial sobre Pãrsva, antecessor de Mahãvira.

O Jainismos vem da palavra Jina, e literalmente quer dizer "descendentes dos conquistadores". Acreditam na existência de dois princípios fundamentais, vivos (jiva) e não vivos (ajiva).

Para os jainistas toda vida é sagrada, e toda entidade vivente, desde a menor criatura tem em si uma alma indestrutível e imortal.

O Jainismo mantem-se apenas na Índia e hoje reivindica um número de mais de 4 milhões de adeptos.

Livros sagrados do Jainismo:

- Culika-sutras – dirigem-se à natureza da mente e do conhecimento;
- Chedra-sutras – contém regras do ascetismo jainista;
- Ágama – coleção de diálogos do Mahãvira.

Votos Jainistas:


- Não agredir qualquer ser vivo, devendo praticar o vegetarismo;
- Falar a verdade;
- Não roubar;
- Renunciar as relações sexuais;
- Renunciar a qualquer possessão (isso inclui roupas e alimentos)
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Mantras

A palavra mantra significa: fórmula sagrada.
Literalmente “Man” em sânscrito quer dizer mente (o revestimento da mente), em sentido amplo e “Tra” significa disciplinar, então, mantra seria disciplinar a mente.

Os mantras não são fórmulas mágicas nem meras sentenças sem lógica. Cada mantra visa ativar ou sintonizar um aspecto do homem de acordo com os objetivos a serem alcançados. Origina-se, para a maioria dos estudiosos, do Hinduísmo, mas é amplamente utilizado por místicos, esotéricos, ocultistas e está presente em todas as culturas orientais.

A repetição (japa) de um mantra leva à estados alterados de consciência e sintonia com realidades extra físicas.


Om Namah Shivaya
(Inclino-me perante o meu divino Ser Interior)

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Deuses do Hinduísmo


Mitologia do Bramanismo/Hinduismo

Além de todo o panteão da Índia pré-vedica e do vedismo, encontraremos outros deuses, os quais se tornam as figuras mais importantes do Hinduismo.

Existem três vias sagradas de acesso ao conhecimento: pela contemplação, as obras e a devoção religiosa. O bramanismo contempla em suas bases o mistério do Trimuti, a trindade do absoluto, como criador de toda a existência e possuidor de todas as idéias. O Eu existe nas suas três divindades complementares: Brama[1], o Criador; Visnú, o conservador e Shiva, o destruidor.


Esse mesmo Eu, coexiste ao mesmo tempo nas duas naturezas unidas, na mortal e na imortal, porque as duas naturezas são simplesmente a mesma essência. Assim como o homem que é reflexo dessa dupla natureza, mortal e imortal a um só tempo, devendo buscar a totalidade de sua existência, a unidade e ao seu Eu eterno, atman.

Enquanto Brama fica estabelecido num plano metafísico, as duas outras personificações do Trimuti, Shiva e Visnú, convertem-se em deuses queridos e temidos aos quais poderia se recorrer em casos concretos.

Visnú começou sua carreira mitológica como mais uma divindade da natureza, um deus solar, mas foi galgando postos constantemente até chegar a 2ª pessoa do Trimurti, atrás do grande Brama. Visnú aguarda sua última reencarnação, possuiu nove avatares (o que significa descida de um deus na terra, ou seja, nove encarnações), tendo sido o peixe que salvou Manú do dilúvio, a tartaruga que obteve a bebida sagrada de amrita, o javali que voltou a salvar a terra do novo dilúvio, o leão que castigou o blasfemo demônio Hiranya, Trivikrama, o Brâmane anão dos três passos, o Parasurama que venceu os chatrias, o Rama da epopéia de Ramayana e o príncipe negro Krishna. A décima será do gigante com cabeça de cavalo branco, como kalki, vindo a Terra para a batalha definitiva contra o mal, quando o mundo acabar e Shiva aparecer sobre as ruínas do dia do fim do mundo. Nas epopéias do Ramayana e de Mahâbârata, Visnú se converte no verdadeiro protagonista da lenda, relegando Brama, para segundo plano. Habita as moradas paradisíacas rodeado pelo amor eterno de um milhar de incondicionais pastoras celestiais, as Gopis, e na companhia de Laksmi, divindade do amor, da ciência e da sorte, segundo nos contam os textos de Ramayana. Quando Visnú desce a Terra para acompanhar os humanos, o faz geralmente incorporando um deus de quatro braços, braços que portam o disco, o maço, a concha ou a trombeta, e a espada ou o lótus, emblemas que são representações de suas faculdades e virtudes, como são os símbolos do Sol, da força, do combate contra o mal e seu justo castigo.

(visnú)

Shiva é a terceira pessoa do Trimurti, embora para os seus fiéis ele seja a primeira e incontestável divindade trinitária. Casado com a também impressionante deusa Parvati, a montanha, que conhece muitas advocacias, desde a de Sati, ou esposa, e Ambiká, ou mãe, até à de Kali, a negra, a deusa da morte. Com sua esposa Shiva habita as regiões que formam o teto do mundo, no Himalaia, no cimo do monte Kailas. Naturalmente um amor como o da deusa Parvati e o deus Shiva não poderia deixar de ser grandioso e conta-se que, quando por fim Shiva e Parvati se uniram pela primeira vez, todo o planeta estremeceu num gigantesco terremoto. O deus Shiva apresenta-se, às vezes, perante os homens nu e coberto com a cinza da ascese, com toda a pureza do seu ser, adornado com o sinal inconfundível de um terceiro olho vertical no meio da fronte, com o qual vê tudo, símbolo de sua onisciência, e com o cabelo preso num grande carrapicho, outras vezes aparece coberto de serpentes, para apontar inequivocamente a sua imortalidade, e armado com o arco Ayakana e o Jinjira, mais o raio e o machado, porque então é a personificação do tempo, o deus destruidor. Quando aparece como deus da justiça aparece montado em um touro branco e um numero par de braços, entre dois e dez, empunhando numa de suas mãos o tridente no qual estão enfiadas duas cabeças. Na fronte destaca-se a marca de uma lua em quarto crescente, o seu cabelo vermelho eleva-se como uma tiara e a sua garganta é azul, para recordar que o Nilakantha, o herói que salvou o mundo de todo o veneno vomitado por Vasuri, o rei das serpentes e o apanhou na sua mão para bebê-lo depois, queimando sua garganta divina com a peçonha, para que os homens não morressem pelo seu efeito.

(shiva e Parvati)


Há ainda no Hinduismo um panteão sem fim de deuses e lendas, como, por exemplo, o deus da Sabedoria Ganesh, com cabeça de elefante. Há grande quantidade de animais sagrados, como a vaca, o macaco e a serpente, bem como árvores e rios igualmente sagrados, como o Ganges.




(Ganesh)


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[1] Não se pode confundir Brama, com Braman. Brama é o deus representante do princípio da criação, e Braman é o princípio que anima o deus. Assim como os demais são personificações dos princípios de conservação e destruição, não são Braman, apenas o contém e manifestam em si princípios individuais do todo que é Braman.

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Hinduismo (seitas e doutrinas)

Principais seitas e doutrinas:

As três principais doutrinas/seitas são Vaishnavismo, Shivaismo e Smartismo.


Vaishnavismo

É a doutrina do culto à Vishnu e suas encarnações ou avatares, como Krishna e Rama. A meta principal dos vishnavas, a libertação, é alcançada quando o ser individual uniu-se a Vishnu, como parte dele, apesar de manter a sua personalidade individual. O senhor Vishnu, consciência todo-penetrante, é a alma do universo, distinto do mundo e dos Jivas (almas individuais encarnadas), as quais constituem seu corpo. Seus adeptos comunicam-se com a divindade e recebem dele a graça através da Bhakti-Yoga.

A Escola devocional Bhakti tem seu nome derivado do termo Hindu que evoca a idéia de “amor prazeroso, abnegado e estupefante da divindade”. A filosofia de Bhakti procura o usufruto pleno da divindade universal através da forma pessoal. Vista como uma forma de Yoga preconiza a necessidade de se dissolver o ego na divindade, pois a consciência do corpo e a mente limitada são fatores contrários à realização espiritual. Essencialmente é a divindade que promove toda mudança, sendo a fonte de todos os trabalhos.
A mais popular forma de expressão de amor à divindade é através da puja, ou ritual de devoção, freqüentemente utilizando o auxílio de murti (estátua), juntamente com cânticos e recitações de mantras.

Esse sistema de devoção tenta auxiliar o indivíduo a conectar-se com a divindade através de meios simbólicos criando uma conexão crescente. À medida que a divindade vai sendo internalizada e refletida na vida diária do discípulo, menos ele precisará de imagens e formas externas como meio de conexão.

Na Bengala do século XVI a doutrina Vaishnava obteve uma grande contribuição através do Sri Chaitanya Mahaprabhu, filósofo, reformista social e religioso, que produziu uma revolução espiritual conhecida como Sankirtan, o canto congregacional dos Santos Nomes do Senhor Supremo, especialmente o Maha-mantra (mantra supremo): Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare. Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare.

O ocidente entrou em contato com essa doutrina através do guru Vaishnava, Bhaktivedanta Swami Prabhupada que apresentou, por todo mundo, o “Bagavad-gita como ele é”, bem como outras obras hindus que foram traduzidas e publicadas em mais de 120 línguas, divulgando, desta mesma forma, o Maha-Mantra.

Shivaismo

A meta principal do Shivaismo é a realização de uma unidade pessoal com Shiva, que pode ser alcançada nessa vida, postergando a libertação final (Moksha) para a próxima vida. Através dessa união com a superconsciência do deus Shiva permite que a perfeita verdade, conhecimento e bem aventurança sejam conhecidas. Para os shivaístas a realização está dividida em quatro estágios progressivos, de crenças e práticas. A alma se desenvolve através do karma e da reencarnação, da esfera instinto intelectual, dentro de uma vida virtuosa e moral, indo ao templo para adorar e devocionar, seguida pela adoração internalizada ou yoga (união) e disciplina meditativa. A união com Shiva advém através da graça do Satguru (mestre espiritual) e culmina no estado de maturidade da alma ou Jnãna (sabedoria). O Shivaismo valoriza tanto o Bhakti-Yoga como o Sadhana ou práticas contemplativas.


Smartismo

A meta dos smartas é moksha (libertação do sansara) realizando a unidade com Brahman, o Absoluto. Para isso deve superar o estado de Avidya (ignorância), que dá a aparência ao mundo como se fosse real. Toda a ilusão desaparece para o ser realizado ainda que viva a vida no corpo físico. Na morte, tanto seu ser interior como o seu corpo físico são extintos. Apenas existe o Braman. O caminho de Moksha é possível apenas através da Jnãna-Yoga, ou seja, pelo caminho intelectual e meditativo. Os estágios progressivos desse caminho incluem o estudo das escrituras, reflexões e meditações. Guiados por um guru realizado e declarando a irrealidade do mundo, o iniciado medita em si mesmo como Braman, para quebrar a ilusão ou Maya. Os devotos devem, também, escolher um dos três caminhos para cultivar a devoção, acumular um bom Karma e purificar a mente: bhakti-yoga, karma-yoga e raja-yoga, os quais conduzem a iluminação.
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Filosofia do Hinduísmo



Os quatro pilares da vida material:

Seguindo os princípios do Hinduismo, os quatro pilares da vida material são: Artha, Kama, Dharma e Moksha. Os três primeiros aspectos são chamados de Trivarga (três caminhos), referem-se às ocupações mundanas propriamente ditas e possuem uma filosofia particular. Artha diz respeito à aquisição da riqueza, prosperidade e progresso material em geral, bem como tudo o que diz respeito ao seu desenvolvimento e aplicabilidade. Kama refere-se ao gozo dos sentidos, o prazer e a gratificação dos sentidos; Dharma diz respeito à retidão ética, aos ideais religiosos, e Moksha diz respeito à liberação da roda de nascimentos e mortes chamada de Samsara.

Os três sofrimentos inevitáveis:

A vida do indivíduo deve ser levada de forma equilibrada, a fim de que se possa usufruí-la com o mínimo possível de sofrimento; uma vez que é praticamente impossível a entidade viva ficar sem nenhum sofrimento no mundo material, porque toda a entidade viva está sujeita a três tipos de sofrimentos inevitáveis no mundo material, chamados de Duhka-traya, (três sofrimentos), a saber:

1 - adhiatmika; sofrimentos ou contingências ocasionadas pelo próprio corpo, inclusive os aspectos psicológicos e mentais; doença, velhice, e morte, etc.;

2 – adhibhautika; sofrimento que é ocasionado pelos outros seres, incluindo nossos semelhantes, feras selvagens, répteis, insetos, micróbios, etc., e, por fim,

3 – adhidaivika; sofrimentos ocasionados pela natureza. Isso inclui o clima, as tempestades, as influências planetárias, e todos aspectos fenomênicos da natureza.Uma vez compreendidas as três inevitáveis contingências no mundo material, os sábios ditaram textos para que as pessoas pudessem aliviar estes três sofrimentos.


Uma vez compreendidos os pilares e sofrimentos do mundo material, os sábios elaboraram alguns textos que norteiam as práticas e posturas dos praticantes religiosos chamados shastras. Estes textos possuem um sentimento ou Siddhanta comum que é a liberação, uma vez que na filosofia dos Vedas esta é a meta última de toda a entidade viva e inteligente como a humana.


Principais Shastras:

Artha: Kautiliya,Vriddha e Chanakya;
Kama: Kama-sutra, alguns Tantras;
Dharma: Manushmriti, Yajñavalkya e Parashara;
Moksha: Ithihasas (Bhagavad-gita; Mahabharata, Ramayana, etc), Puranas, Ágamas e Darshanas.

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Hinduismo

Não se pode precisar em que momento teve início o Hinduismo. Enquanto os filósofos e sacerdotes brâmanes discutiam a origem do Universo e suas causas, foi se institucionalizando o hinduismo, como prática publica de adorações e veneração aos deuses. Sendo tanto o Bramanismo quanto o Hinduismo remanescente da cultura pré-védica e do vedismo.
Segundo, Fàlicen Challaye, em seu livro, Pequena história das grandes religiões, os Brâmanes exerciam uma pesada dominação sobre a sociedade e ao verem seu domínio ameaçado com o advento do Jainismo e do Budismo, no século VI aC. vêem-se obrigados a aproximar o Bramanismo, enquanto essência, às crenças populares, surgindo dessa maneira uma mistura de altas doutrinas tradicionais com superstições populares.

Os textos sagrados do hinduísmo incluem os já mencionados do bramanismo e os Puranas (antiguidades que relatam lendas e epopéias como do Mahâbârata e Râmayana, esses textos sofrem diversas modificações com o tempo, datando entre os séculos III e II aC. e o século XIII da era cristã).

Nesse mosaico de idéias surgem inclinações que podem ser confundidas como monoteístas que oscilam em regiões e épocas da Índia. O hinduísmo possui muitos ramos, divisões e seitas. Mas há um grupo de três destas seitas ou derivações que são a base de todas as outras.

A transmigração das almas é o tema central, e os ritos funerários continuam sendo a incinerações dos cadáveres com as cinzas lançadas no rio Ganges. Esses ritos funerários são importantes porque se acredita que podem ajudar o morto a conseguir uma vida futura melhor.


(banho sagrado no rio ganges)

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Filosofia Brâmane


“No começo havia apenas o Brahman; foi ele que criou os deuses... Na verdade, o imortal Brahman está em todos os lugares, à frente, atrás, à direta, à esquerda, no zênite, no nadir... Ele é Aquele em que são urdidos o céu, a terra, a atmosfera, o espírito também e todos os sentidos...Espumas, vagas, todos os aspectos, todas as aparências do mar não diferem do mar. Nenhuma diferença, outrossim entre o universo e o Brahman... Na verdade, tudo é Brahman.”[1]


Brahman está em tudo, é a essência e causa de tudo que vemos e não vemos. Está nas formas, nos nomes, em tudo que podemos sentir e perceber através de nossos sentidos, assim como lhe é causa de manifestação é a essência em si.

Para o Bramanismo não existem dualidades. Toda e qualquer manifestação são apenas partes, fragmentos de um todo e tudo está interligado e permeado por Brahman.


Assim como o universo, múltiplo na aparência, mas uno em causa, meio e fim, o homem também o é. O princípio da unidade no homem, seu sopro vital é chamado de Atman.


“O Atman, o Eu – aquele fio que mantém unidos este mundo, a outro e todas as coisas – é o reitor interno, desde o início dos tempo... o Eu habita todos os seres; está dentro de todos os seres; os seres no entanto, não o conhecem; todos os seres são o seu corpo, ele os controla desde dentro. Ele não é visto, mas vê; não é ouvido; mas ouve, não é pensado, mas é o pensador. Ele é desconhecido e, contudo, é o conhecedor. Ninguém vê, exceto ele. Ele é o Eu, o governante interior, o Imortal”.[2]


Brahman é o absoluto objetivo e Atman o absoluto subjetivo, constituindo o absoluto verdadeiro o atman-brahman.

Como alcançar a libertação?

Nossas vidas, as formas de nossos diversos corpos, nas sucessivas reencarnações, pertencem ao que chamam de mundo de Maya, ou mundo da ilusão, pois tomamos como realidade um fragmento sem lhe ver as causas, nossa realidade física é apenas a manifestação de algo maior, que o compõe e o contém. Para que possamos nos libertar do sansara é preciso retirar os véus de Maya (ilusão) e contemplar nossa verdadeira essência, o atman. Para tanto, precisamos nos liberar de qualquer outro desejo que não seja o atman, porque atman existem além do desejo e de todo sofrimento. Esse caminho só pode ser trilhado por um ato de vontade, de disciplina e de desapego as coisas mundanas. Ainda que Brahman também exista e seja a causa do mundo de Maya, este é apenas um fragmento e um meio de encontrarmos nossa verdadeira essência. Então buscar o desapego dos desejos e necessidades materiais, entender que são apenas aspectos menores, que a verdadeira vida e imortalidade estão em atman passa a ser o caminho. Atman é o habitante interno do homem, seu sopro vital, causa, meio e fim de suas existências. É Aquele a quem se deve contemplar.

“É atman realmente que é preciso contemplar, que é preciso ouvir, que é preciso compreender, que é preciso meditar; pois verdadeiramente aquele que ouviu, que contemplou, que meditou o atman, conhece esse universo inteiro, o que está no fundo do homem e o que existe no sol são uma única e mesma coisa.”[3]



Na busca desse encontro surgem às diversas escolas com práticas religiosas e ascéticas que visam acelerar o momento da identificação com atman e da libertação do sansara.

“Quando o Brâmane ou seu discípulo, após haver cumprido seus deveres familiares, pode transmitir ao filho a direção e os bens da comunidade, retira-se, tal um eremita, para o fundo da floresta, a fim de, no seu silêncio, entregar-se a meditação religiosa, ou então torna-se um monge-esmoler... Assim começa o monaquismo hindu...”[4]

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[1] Extrato do Brâmana
[2] Extrato do Upanixadas
[3] Extrato Upanixadas
[4] Challaye – Pequena história das grandes religiões. Pág. 59.

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O Bramanismo



O Bramanismo surge da evolução da religião Védica.
A Índia é conhecida mundialmente por seu sistema de castas, sendo essas introduzidas pelos Brâmanes. Mitologicamente explica-se que as 4 castas surgiram do corpo de Brahman, de sua cabeça saíram os Brâmanes, considerados como seres quase divinos, detentores do monopólio da religião; dos braços de Brahman surge a casta dos Kshátriyas, que constituem os nobres e os guerreiros; de suas pernas surgem os Vaicias, os agricultores e comerciantes; de seus pés os Sudras, homens de cor, que realizam os trabalhos mais simples, artesões e escravos. Fora das castas e segregados da sociedade encontramos os Parias ou Chandâlas, considerados como “os sem berço”.

Esse sistema de castas se sustenta dentro da idéia de transmigração das almas. Para o Bramanismo todos os homens vivem dentro do que denominam “Roda de Sansara”, o ciclo de nascimentos e mortes. A alma humana, por uma necessidade evolutiva, devido a sua imperfeição, necessita de sucessivas encarnações sob diferentes formas de acordo com o seu Karma, a soma dos méritos e deméritos de uma vida. Esse saldo (Karma) determina necessariamente a vida futura e, portanto, justifica o nascimento em uma ou outra casta. A salvação (Moksha) consiste em libertar-se do karma, em libertar-se do renascer. No bramanismo, reencarnar é participar das dores do mundo, como se fosse o recomeço do sofrimento. Para alcançar a libertação do sansara são necessários, em um primeiro momento o sacrifício e no segundo o conhecimento.

Os livros sagrados do Bramanismo são além dos Vedas os Brâmanas (rituais em prosa redigidos como elucidários e comentários dos Vedas, sendo que cada Veda possui seu Brâmana), Upanixadas e Aranyakas (elaborados por discípulos, como compilações das reflexões dos sábios, significam “ensinamentos secretos”, construídos fora da casta sacerdotal), e o código de Manu (Manu é um deus lendário ao qual o próprio Brama teria feito a entrega das leis, data aproximadamente entre o II século aC, e o II século da era cristã, encontramos em seu conteúdo a consagração do domínio dos Brâmanes, bem como os códigos de leis civil e penal).
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Outras divindades védicas

Entre os aditya estavam também Mitra, Baga, Amsa, Daksa e Aryaman, junto de Indra e Varuma, formando o septeto básico; também se costumava pôr um oitavo aditya, o errante Martanda, que, com o seu contínuo andar pelo céu, era simplesmente uma divindade astral, o Sol, Surya, desposado com a deusa da Aurora, Uchas, uma deusa bondosa e benfeitora.
A serviço dos adityas estavam os cavaleiros ou Asvins, divindades menores que tinham os seus domínios na escuridão de cada noite, dispensadores do orvalho no seu correr celestial e outorgadores de bens espirituais e corporais.

Os centauros Gandharva vigiavam o sumo sagrado do Soma, que era, além disso, outro deus de importância nas cerimônias sagradas. Estes centauros Gandharva eram também divindades tutelares das almas emigrantes na metempsicose e estavam unidos às mais belas divindades, as perturbadoras Apsara, ninfas da água e concubinas dos deuses maiores. Um Gandharva, Visvavat, foi o pai do primeiro mortal. Visvavat era casado com Saranya, a filha do ferreiro dos deuses, Tvachtar e deste casamento nasceram Yama e a sua irmã gêmea, e esposa, Yami.
Os Gandharva ainda se ocupavam da escolta do deva Kama, deus do amor e esposo de Rati, deusa da paixão amorosa.



Os Marut, os deuses dos ventos, filhos do deus Rudra e da deusa Prasni, tinham grande poder, tanto dos temporais devastadores que vinham das montanhas, como dos ventos carregados de água benéfica que apareciam na época das chuvas. Mas os Marut não estavam sozinhos no reino dos ares, pois o deus Savitar era quem fazia com que se levantasse o vento, se pusessem em movimento os raios do sol e fluíssem as águas dos rios, porque ele próprio era o movimento e até o próprio Sol, embora então tomasse o nome de Surya.

O deva Puchan, armado com uma lança de ouro, encarregava-se de unir o destino dos seres vivos e de cuidar deles em todo o necessário para o seu sustento, assim como de guiá-los nas suas viagens pelo melhor caminho.Porém, o culto mais popular, o que atraía os mais abundantes sacrifícios dos fiéis, foi Agni, o deus vermelho do fogo, de sete braços e três pernas, o que estava em todos os lugares onde se fizesse fogo.

Agni era filho da união entre o Céu e a Terra e, posteriormente, da união entre o Céu e Brama. Agni estava casado com Svaha, que o fez pai de três filhos: Pavaka, Pavamana e Suc.

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Vedismo II

Deuses védicos:

*Surya - Deus do sol;
*Ushas - A aurora,
*Visnú - Outro deus solar que ganha importância maior no Bamanismo e Hinduísmo.
*Rudra – Deus da tempestade, que dominará no Hinduísmo com o nome de Shiva.
Todos esses deuses são venerados e invocados. O sacrifício possui um lugar proeminente no culto védico. O mais simples compõe-se de alimentos como leite e é oferecido em casa pelo chefe da família. O mais solene é o sacrifício do cavalo de batalhas dos reis. Famosa é a libação do “Soma”, bebida embriagante feita de uma planta chamada asclepias acida. Por ocasião dos sacrifícios ardiam três fogos:

*O fogo do dono da casa, que lembra o fogo purificador do lar;
*O fogo do sacrifício para os deuses;
*O fogo do sul para proteção contra os espíritos malignos.

Sacrifica-se pela manhã e pela tarde, por ocasião da lua cheia e da lua nova, no início da estação das chuvas, no interior e exterior das casas. O sacrifício foi elevado pelos teóricos sacerdotais ao ponto de constituir o sentido próprio e único do mundo.
A incineração dos cadáveres fazia parte dos ritos funerários. Agni era o intermediário entre a vida presente e a vida futura. O destino dos mortos é obscuro, ora aparecem como unidos às águas e às plantas, ora como vivendo no reino de Yama, apresentado nos Vedas como o deus dos mortos, o senhor dos infernos.

Um dos aspectos mais interessantes da mitologia da Índia é o seu conceito cíclico da criação, a crença numa forma constante, um modelo ideológico do Universo fechado, no qual a criação e a morte do Universo se sucedem indefinidamente durante eras que duram milhares de séculos, não movidas pela física celeste, mas sujeitas à respiração de um deus, de Visnú, que no seu sonho e a sua vigília, cria e destrói nosso mundo. Ao princípio de cada uma dessas eras, em cada um dos ciclos, vem à Terra para dar as mesmas oportunidades às novas humanidades às quais dá vida.

O Rig Veda, com mais de 1.000 hinos e 10.000 estrofes, nos fala de um Universo composto por duas partes: Sat e Asat.

Sat é o mundo existente, a parte destinada às divindades e à humanidade; Asat, o mundo não existente, é o território da escuridão.

Em Sat está a luz, o calor e a água; em Asat só há noite.

O Sat está composto por três esferas: a superior do firmamento, o ar que está sobre as nossas cabeças e o solo do planeta onde vivemos.

Os três deuses encarregados de velar pelo Sat desde o momento da sua criação são Dyaus, Indra e Varuma.

Dyaus está a cargo da primeira esfera cósmica, a concavidade do firmamento, o Céu Pai é o esposo do fecundador de Prtivi Matr, a Terra Mãe, é o espírito benfeitor supremo do dia e da luz.

Indra está encarregado da segunda esfera cósmica, do ar da atmosfera e de tudo que a contém; libertou as águas e construiu o mundo.

Varuma encarrega-se da terceira esfera, da qual a ordem cósmica estabelecida rege na terra. É o deus que está em todos os lados e também o chefe dos adityas, os filhos de Aditi, a deusa virgem do ar. Varuma cuida do rito da verdade divina, e o faz zelosamente da Terra e da Lua, isto é, mantém-se vigilante no dia e na noite, ajudado na sua constante missão pelas estrelas como zelador que é da ordem sagrada no Universo visível, do Sat, embora o deus solar Mitra siga substituindo-o nas tarefas diurnas, de um modo auxiliar. Varuma é o deus sábio que conhece tudo o que já aconteceu e tudo o que tem de suceder. Da sua garganta brotam as águas das sete fontes do céu, de onde vêm à terra para formar os grandes rios do planeta.
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Vedismo

É a religião que antecede o Bramanismo e que se encontra nos Vedas. Pode-se considerar como uma etapa da evolução religiosa dos indo-arianos, pois ao invadirem a Índia, sofrem naturalmente a influência dos costumes da nova religião. Entre as escritas de Harappa e o Vedas existe um hiato de 2000 anos, e não se sabe ao certo se possuíam algum modo de grafar as tradições literárias oralmente conservadas através de numerosas gerações.

Vedas, que significa saber, é um conjunto de textos divididos em 4 volumes, nos quais se encontram os mais antigos testemunhos de seu passado, escritos em sâncrito, seu primeiro volume data do século XX a.C..


(vedas)



*O Rig-Veda – Coleção de lendas antigas, cantos épicos, encantamentos, poesias líricas, tudo adaptado a fins religiosos.

*O Sama-Veda – Repete em parte a obra precedente e contém indicações para os cantores durante os sacrifícios solenes.

*O Yajur-Veda – Contém formulas litúrgicas para os sacerdotes. Alguns elementos profanos contidos no texto, servem de preciosas indicações sobre a organização social.

*O Atharva-Veda – Repositório das mais antigas superstições.

Os deuses mais importantes e venerados no Vedas são Agni, Indra, Varuma.

Agni – (o fogo, ignis), é o deus ao qual se dirige a maior parte dos hinos do Rig-Veda. É o deus do lar, que se encontra próximo dos homens, é o pai destes, o deus do sacrifício que leva as oferendas aos outros deuses.

“É o deus do fogo que queima no altar do sacrifício, do fogo do qual a família se reúne ao cair da noite, do fogo que possibilita a cocção dos alimentos e expulsa as trevas...”

Indra – É um dos deuses mais expressivos do panteão védico. É um deus guerreiro que auxilia os arianos combatentes em luta contra as deidades maléficas inimigas dos homens. É o soberano do céu, animador de todas as coisas, dispensador dos benefícios. Dele dependem a fecundidade, a chuva e o raio.

Varuma – É o deus do universo, dos deuses e dos homens. É um deus majestoso, o deus celeste, a fonte de toda a vida e de todo bem. Rege a ordem moral e jurídica, tudo vê, tudo escuta. Os hinos que lhe são dedicados caracterizam-se por significativa elevação moral.

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Religião Proto-Indiana

É nas civilizações do Vale do Indo, Harappa e Mohejo-Daro que vamos encontrar as bases arcaicas da religião indiana.

Harappa e Mohenjo-Daro tiveram suas primeiras descobertas em 1875, mas somente a partir de 1992 é que se iniciaram as escavações sistemáticas.

Essas civilizações se estenderam ao vale do Ganges, possuíam comércio ativo com a Ásia Central, Mesopotâmia e Egito.

O auge dessas civilizações data de 3000 a.C., sendo sua origem desconhecida.Eram cidades urbanas, com sistemas de esgoto (todas as casas possuíam banheiros) e uma complexa casa de banhos. As casas possuíam a mesma estrutura, não havia diferenças sociais, todos tinham direitos iguais e usufruíam as mesmas coisas. Não foram encontrados grandes templos, mas sua religiosidade estava impressa em tudo que faziam.

Não se sabe ao certo o que causou o declínio dessas civilizações, com mais de um milhão de quilômetros quadrados com centenas de milhares de habitantes. Não há indícios arqueológicos que culpem a invasão ariana, pois quando lá chegaram essas civilizações já estavam em declínio, mas sem duvida as invasões arianas de forma indireta, contribuíram para a aceleração do declínio dessas civilizações desorganizando-as ao empurrar uma grande parte dos habitantes para o sul, antes de submeter ao seu domínio os sobreviventes que ficaram no local.

Nada se sabe sobre seus cultos e rituais, sua linguagem foi simbólica e continua indecifrável. A inexistência de templos não implica na ausência de religião. As estatuetas, os talismãs e os sinetes encontrados em suas ruínas mostram o espírito religioso dessas civilizações. Uma das divindades mais representadas aparece com um complicado ornato na cabeça, com dois chifres, braceletes nos braços, cercada de animais e agachada sobre uma espécie de trono baixo.

A representação de uma deusa cornuda, cercada de animais, em pé numa árvore, parece sugerir uma relação com a devoção, ainda hoje existente na Índia, à deusa Lakshimi e à árvore sagrada, pipal, que lhe serve de habitação.




Muitos historiadores questionam se os banhos em águas sagradas da Índia contemporânea possuem alguma relação com os grandes estabelecimentos de banho encontrado nas ruínas de Mohenjo-Daro.

O culto dos animais predominava nessas regiões, o touro, o rinoceronte, o tigre, o elefante e a serpente eram objetos de adoração.

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Apresentação

Este trabalho é fruto de cinco anos de estudo e pesquisas na área. Não pretende ser o mais completo ou correto e sim uma maneira de ajudar aqueles que como eu, tenham curiosidade e vontade de conhecer as diferentes manifestações religiosas.
É preciso lembrar que sempre existiram e existem dois tipos de religiões. Uma é aquela praticada pela grande massa popular, onde os rituais viram dogmas e perdem em grande parte, para não dizer totalmente, a filosofia que a norteia. Outra é praticada por um grupo menor, onde o conhecimento e as práticas mais elevadas são mantidos em discussões fechadas e em segredo. Podemos classificá-las como: a religião do povo e a religião dos sacerdotes. Grande parte do conhecimento sacerdotal ainda mantém-se velado através de uma linguagem simbólica e inteligível apenas para poucos.

Através desse trabalho tentei criar uma base que possibilite uma busca mais avançada, que fosse tão abrangente quanto possível e tão compacta quanto necessário, para que não ficasse repleto de filosofia e tão pouco mitologia.
Espero que seja esse um bom começo.



Lara Moncay
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